R$ 1 bilhão em obras de outras empresas
A espanhola Aena passou a administrar o aeroporto do Galeão, no Rio, em 6 de outubro de 2026. Uma semana depois, disse que outras empresas vão gastar cerca de R$ 1 bilhão em obras dentro do aeroporto nos próximos três anos.
O dinheiro vem de parceiros que alugam área no terreno do aeroporto: uma montadora, uma companhia aérea, uma gestora de fundos imobiliários e um grupo hoteleiro. Santiago Yus, presidente da Aena no Brasil, apresentou o pacote em 13 de outubro, numa cerimônia no próprio Galeão.
Segundo a Aena, as obras devem criar 3.860 empregos. O investimento da própria Aena no aeroporto ainda não foi definido.
Quem vai construir o quê
A Hire Capital, gestora de fundos imobiliários, vai investir R$ 430 milhões num galpão de logística de 120 mil metros quadrados. O galpão vai atender o Rio de Janeiro e o Espírito Santo.
A mesma gestora vai gastar R$ 54 milhões para ampliar um galpão que já existe, de 22 mil para 40 mil metros quadrados. A chinesa BYD, fabricante de carros elétricos, vai construir um centro de testes de veículos de R$ 300 milhões, numa área de 184 mil metros quadrados.
A Gol vai erguer um hangar de manutenção de aviões de 56 mil metros quadrados, com mais de R$ 100 milhões. Um hotel de rede internacional, administrado pela operadora hoteleira bUP, terá 232 quartos no início e investimento de R$ 90 milhões.
Somados, os cinco valores dão R$ 974 milhões (cálculo próprio). A Aena arredonda a conta para R$ 1 bilhão.
Parte do pacote é anterior à Aena
Dois dos cinco projetos foram anunciados antes de a Aena assumir o aeroporto. A BYD apresentou o centro de testes em 13 de março de 2026, numa cerimônia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O leilão do Galeão só aconteceu 17 dias depois.
Na ocasião, a BYD previu o início das obras para o fim de 2026 e a inauguração para 2028.
O Ministério de Portos e Aeroportos autorizou o hotel em 27 de agosto de 2026, ainda na gestão da RIOgaleão, a operadora anterior. O projeto foi desenvolvido com a construtora Galwan. A previsão era de cerca de 150 empregos diretos e 24 meses de obra depois das licenças.
Só a Aena divulgou os valores dos galpões da Hire Capital e do hangar da Gol.
O preço da concessão
A Aena venceu o leilão do Galeão em 30 de março de 2026, na B3, a bolsa de São Paulo. Ofereceu R$ 2,9 bilhões pelo direito de operar o aeroporto até 2039. O lance ficou 210,88% acima do mínimo, de R$ 932 milhões.
A suíça Zurich Airport disputou até o fim e perdeu por R$ 100 milhões. A RIOgaleão, operadora anterior, parou em R$ 1,8 bilhão.
Segundo a CNN Brasil, a nova concessionária paga ao governo, todo ano, 20% da receita bruta do aeroporto. Essa parcela substitui as prestações fixas do contrato anterior, renegociado no Tribunal de Contas da União (TCU).
O contrato quase não traz obras obrigatórias, e a exigência de uma terceira pista saiu do texto. O R$ 1 bilhão anunciado, portanto, não decorre de obrigação contratual. Segundo a Agência O Globo, os passageiros devem notar melhorias como elevadores e climatização a partir do início de 2027.
Os passageiros voltaram ao Galeão
O Galeão recebeu 17,5 milhões de passageiros em 2025, segundo a Aena. Em 2024 foram cerca de 14,5 milhões, segundo a prefeitura do Rio e a antiga concessionária. A Aena prevê cerca de 19 milhões em 2026, o que seria recorde.
O aeroporto comporta quase 37 milhões de passageiros por ano. Mesmo com o recorde previsto, quase metade dessa estrutura ficaria sem uso (cálculo próprio).
O governo federal impôs em 2023 um limite ao Santos Dumont, o aeroporto do centro do Rio. O teto de 6,5 milhões de passageiros por ano empurrou voos para o Galeão. Antes da medida, o Galeão chegou a ter menos passageiros que o Santos Dumont.
O teto vai subir aos poucos, por um acordo fechado no TCU em 2025. A previsão é de 9 milhões em 2026, 10 milhões em 2027 e fim do limite em 2028, segundo a Agência iNFRA. O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, disse em 13 de outubro que os dois aeroportos serão operados de forma coordenada.
A Aena também olha para o Santos Dumont, que sustenta quase todo o orçamento da Infraero, a estatal federal de aeroportos. Yus disse à Reuters que o interesse da empresa numa futura concessão do terminal "no mínimo existirá". Franca afirmou no mesmo dia que o governo não estuda leiloar o Santos Dumont.
A Aena no Brasil
A Aena, com ações negociadas na bolsa de Madri, opera 81 aeroportos em cinco países, segundo a própria empresa. No Brasil são 18 aeroportos em dez estados, entre eles Congonhas, em São Paulo. Juntos, eles movimentam mais de 63 milhões de passageiros por ano.
Para o próximo verão, a Aena anunciou mais voos para 30 destinos a partir do Galeão. A lista inclui rotas novas para Nova York, Toronto, Montreal e Dallas, além de mais frequências para Paris, Miami, Lisboa e Frankfurt.
Ressalvas
Os valores dos cinco projetos e os 3.860 empregos vêm da apresentação da Aena e não têm auditoria. Só a BYD confirmou o próprio investimento, em março de 2026. O hotel teve autorização pública, com previsão de 150 empregos diretos; a Aena fala em 460, somando obra e operação.
O R$ 1 bilhão é dinheiro de empresas parceiras, não da Aena. Até 14 de outubro de 2026, a concessionária não havia divulgado quanto vai investir no Galeão.
Para os passageiros de 2025, a Aena fala em 17,5 milhões. A Reuters deu 17 milhões e 17,8 milhões, em reportagens diferentes, e a CNN Brasil, cerca de 18 milhões.
A Reuters escreveu que o governo discute afrouxar o limite do Santos Dumont e que a Aena vai analisar uma futura concessão do terminal. O ministro Tomé Franca disse que não há estudo para leiloá-lo.
O texto de origem é da Reuters, lido na republicação da CNN Brasil; o site da Reuters não foi aberto. A data do acordo entre a Hire Capital e a RIOgaleão não foi confirmada: a página que o noticiou não abriu pela ferramenta. Uma reportagem do Aeroin sobre o hotel também não abriu, e o Diário do Rio cobriu o mesmo anúncio.