Atraso atinge 9,7% da dívida rural de pessoas físicas
De cada R$ 100 que os produtores rurais devem aos bancos, R$ 9,70 estavam com mais de 90 dias de atraso em agosto de 2026. Em agosto de 2023, eram menos de R$ 1. Os números são do Banco Central e valem para quem toma crédito rural como pessoa física.
A taxa foi de 0,95% para 9,69% em três anos. Numa conta simples sobre a série, o índice ficou 10,2 vezes maior. Segundo o site boca.com.br, que noticiou o dado em 1º de outubro, os 9,69% são o maior nível já registrado.
A série cobre o dinheiro que os bancos são obrigados a emprestar ao campo, com juros e condições definidos pelo governo. Entre as empresas do setor, o atraso ficou em 1% em agosto, segundo o mesmo site.
A alta de cada ano foi maior que a do anterior
Em agosto de 2024, a taxa de atraso dos produtores pessoas físicas era de 2,18%. Um ano depois, chegou a 5,23%. Em agosto de 2026, bateu 9,69%.
A alta foi de 1,2 ponto percentual no primeiro ano, de 3 pontos no segundo e de 4,5 pontos no terceiro. As contas são deste resumo, feitas sobre a série do Banco Central.
Neste ano, a taxa passou de 7,48% em junho para 8,79% em julho, a maior alta mensal de 2026. Julho também teve a maior alta mensal em 2024 e em 2025, pela mesma conta.
No Banco do Brasil, o atraso no agro quase dobrou em um ano
No Banco do Brasil (BBAS3 🇧🇷), o atraso acima de 90 dias na carteira do agronegócio chegou a 6,27% no segundo trimestre de 2026. Um ano antes, era de 3,16%, segundo a Forbes. A carteira do banco inclui empresas, e por isso a taxa não se compara direto com a do Banco Central.
No primeiro trimestre, o lucro do banco caiu 53,5%, para R$ 3,46 bilhões. O banco cortou a projeção de lucro de 2026 para a faixa de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões. A razão citada foi a piora do risco no agro, segundo a Gazeta do Povo.
No segundo trimestre, o lucro ajustado subiu 3,3% em um ano, para R$ 3,9 bilhões. O volume de dívidas do agro que entraram em atraso no trimestre caiu de R$ 7,18 bilhões para R$ 5,72 bilhões, segundo a Forbes. Para o Poder360, o Banco do Brasil é o grande banco mais afetado pela inadimplência: reservou R$ 18,5 bilhões para perdas no segundo trimestre, alta de 16,4% em um ano.
Governo abriu renegociação até 12 de novembro
A Medida Provisória 1.376, publicada em 15 de julho de 2026, cria linhas de crédito para refinanciar dívidas rurais. Podem aderir produtores e cooperativas que perderam ao menos 30% da renda esperada em duas ou mais safras entre 2019 e 2025.
O prazo de pagamento vai até 8 anos, ou 10 anos para quem teve perdas maiores, com 2 anos sem pagar parcelas. Os juros vão de 5% a 12% ao ano, conforme o porte do produtor. A contratação vale por 120 dias, até 12 de novembro, segundo o resumo da medida feito pelo Senado.
Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, disse que as renegociações têm se mostrado ineficazes a curto prazo, segundo o boca.com.br. David Télio, diretor da TerraMagna, empresa que financia produtores, afirmou que alguns deixam de pagar os bancos para comprar insumos com o dinheiro da safra anterior.
Ressalvas
O cálculo de 10,2 vezes é deste resumo, feito sobre a série 21148 do Banco Central. O boca.com.br, publicação de origem, fala em quase dez vezes e não cita a nota do Banco Central de onde tirou os números.
O índice da Serasa Experian conta pessoas, e não dinheiro emprestado. No primeiro trimestre de 2026, 8,8% dos 10,7 milhões de produtores mapeados tinham dívida com empresas do agro vencida havia mais de 180 dias. A alta foi de 1,2 ponto em um ano, segundo a Exame.
Parte da imprensa atribui à Medida Provisória 1.376 a renegociação de R$ 100 bilhões. O texto da medida, no site do Planalto, fixa limites por produtor e não traz valor total. O número ficou fora deste resumo.
A medida provisória perde validade se o Congresso não a votar no prazo previsto na Constituição. A tramitação não foi apurada para este resumo.
Os números do Banco do Brasil vêm do balanço do banco. Foram lidos na cobertura da Forbes, da Gazeta do Povo e do Poder360, e não no documento original.