A primeira previsão de um ano inteiro
A Nvidia divulgou em 26 de agosto de 2026 o balanço do segundo trimestre do seu ano fiscal de 2027. Na teleconferência com analistas, projetou 70% de crescimento de receita para o ano fiscal de 2028. É a primeira previsão de um ano inteiro que a empresa publica; até aqui ela orientava o mercado um trimestre por vez.
O ano fiscal da Nvidia não coincide com o calendário. O exercício de 2028 começa no fim de janeiro de 2027 e se encerra no fim de janeiro de 2028.
Em dinheiro, os 70% ficam entre US$ 690 bilhões e US$ 700 bilhões de receita, intervalo publicado pela Fortune a partir da teleconferência. Os analistas que acompanham a empresa trabalhavam com cerca de US$ 570 bilhões para o mesmo exercício, o que daria 44% de crescimento. A distância entre as duas contas fica entre US$ 120 bilhões e US$ 130 bilhões, cálculo próprio a partir dos dois números publicados.
Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, amarrou o número à capacidade de produção: “Ainda que a nossa demanda seja bem maior que 70%, a nossa oferta permite entregar 70% com confiança”.
O trimestre que a empresa fechou
A receita do trimestre encerrado em julho de 2026 somou US$ 96,2 bilhões. São 106% a mais que os US$ 46,7 bilhões do mesmo período do ano anterior, e 18% a mais que o trimestre imediatamente anterior. Os analistas esperavam US$ 92,1 bilhões, segundo a Axios.
A divisão de data center respondeu por US$ 89,0 bilhões, ou 93% de tudo o que a empresa faturou no período, em cálculo próprio. Essa divisão cresceu 117% em um ano.
O lucro líquido pelo padrão contábil americano chegou a US$ 59,7 bilhões, contra os US$ 51,2 bilhões que o mercado projetava. O lucro por ação ajustado ficou em US$ 2,22, ante US$ 1,05 um ano antes. A margem bruta foi de 75,0%, contra 72,7% no mesmo trimestre de 2025.
A Nvidia devolveu US$ 26,0 bilhões a acionistas no trimestre, entre recompra de ações e dividendos, e mantém US$ 99,0 bilhões autorizados para novas recompras. O próximo dividendo, de US$ 0,25 por ação, será pago em 1º de outubro de 2026.
O que a projeção deixa de fora
A Nvidia escreveu no comunicado que “não está assumindo nenhuma receita de computação de data center vinda da China”. O mercado chinês entra na projeção com valor zero.
Colette Kress, diretora financeira da empresa, disse na teleconferência que a Nvidia segue limitada pela oferta e que poderia dobrar a receita se não estivesse, conforme registrou a Axios. Os 70% medem, então, o que a empresa consegue produzir, e não o que os clientes querem comprar.
Quem financia a demanda projetada
Analistas e parte da cobertura chamam de financiamento circular um arranjo: a Nvidia investe nas empresas que compram os chips dela, e dá garantias a projetos de data center. Nessa leitura, parte da demanda projetada depende de dinheiro que sai do caixa da própria Nvidia.
A exposição máxima da empresa em garantias soma US$ 108,5 bilhões, conforme a apuração da Fortune. Desse total, US$ 105 bilhões cobrem o campus de data centers que a SB Energy ergue em Ohio. A SB Energy é uma empresa americana de energia e infraestrutura. Os US$ 3,5 bilhões restantes se referem a compromissos de arrendamento. Entre as empresas em que a Nvidia investiu estão a OpenAI, dona do ChatGPT, e a Anthropic, dona do Claude. As duas desenvolvem sistemas de inteligência artificial e compram capacidade de processamento.
Kress respondeu à objeção na própria teleconferência: “Reconhecemos a escala desse apoio, e sabemos que alguns vão chamar isso de financiamento circular. Nós vemos de outro jeito”.
A margem bruta anda no sentido contrário
A margem bruta ficou em 75,0% no trimestre fechado, e a própria empresa projeta queda daqui em diante. Para o terceiro trimestre o guidance é de 74,0%, com meio ponto percentual de variação para mais ou para menos, sobre receita de US$ 108,0 bilhões. Guidance é o nome que o mercado dá à projeção que a própria empresa publica.
Para o quarto trimestre a indicação é de mais recuo, e as fontes de informação consultadas não fecham no mesmo número. O comunicado oficial não traz esse dado. O Shacknews atribui a pressão sobre a margem a restrições na cadeia de fornecimento e a fatores geopolíticos.
A reação do mercado
A ação caiu 1,3% nos primeiros minutos após a divulgação do balanço, segundo a Kiplinger, e virou durante a teleconferência, quando os 70% foram apresentados. A Nvidia vinha de sete pregões seguidos de queda até a segunda-feira anterior, registro da Axios.
O tamanho da alta no pós-mercado difere entre as publicações: a Fortune registrou mais de 4%, e a Kiplinger, cerca de 5%. O pós-mercado é o pregão eletrônico que corre depois do fechamento oficial.
Ressalvas
A projeção de 70% é declaração da empresa, não medição. Nenhum auditor a examinou, nenhum terceiro a mediu, e não existe medição independente possível para um número que descreve o futuro. Ela vale como aquilo que a Nvidia se dispôs a colocar por escrito, e nada além disso.
O intervalo de US$ 690 bilhões a US$ 700 bilhões e o consenso de cerca de US$ 570 bilhões vêm da apuração da Fortune, e não do comunicado oficial. O comunicado da Nvidia publica o guidance do trimestre seguinte, não o do ano.
A publicação que serviu de ponto de entrada, da CNBC, de 26 de agosto de 2026, não pôde ser aberta. O domínio devolveu erro HTTP 403 à ferramenta de leitura, em duas tentativas com endereços diferentes do mesmo dia. O texto foi construído sobre o comunicado oficial da Nvidia e sobre a cobertura acessível, e o título da matéria de origem foi lido apenas no resultado de busca.
A margem bruta projetada para o quarto trimestre não consta do comunicado oficial e diverge entre as publicações consultadas, como registrado na seção anterior.
A capa é uma fotografia obtida no Pexels, banco de imagem de licença livre, indicada pelo autor. Ela reproduz o logotipo da NVIDIA, o que dispara o alerta de imagem do projeto: a licença do banco cobre o direito do fotógrafo, não a marca que aparece na foto. O uso foi decidido como editorial — a matéria trata da própria empresa cuja marca aparece. O acervo de imagens da NASA foi consultado em duas buscas e não devolveu imagem aplicável: os resultados de semicondutores trazem experimentos espaciais com crédito compartilhado com uma universidade, e a busca por sala de supercomputador não devolveu fotografia de infraestrutura. O DVIDS e os acervos públicos britânico e brasileiro não foram consultados porque não cobrem o assunto. A fotografia foi convertida para PNG e redimensionada para 1024 por 576 pixels, sem alteração de conteúdo.
Divulgação de conflito de interesse: a Anthropic é citada neste texto como uma das empresas em que a Nvidia investiu. Ela é a fabricante da inteligência artificial usada na pesquisa e na redação deste resumo. A Nvidia anunciou em novembro de 2025 um aporte de até US$ 10 bilhões na Anthropic, ao lado da Microsoft. Nenhum dado deste artigo foi obtido junto à Anthropic.