Itaú BBA projeta pico de R$ 44,2 bilhões em investimento no saneamento em 2027

O banco Itaú BBA projeta pico de investimento em saneamento básico no Brasil. Com a consultoria de infraestrutura Inter.B, prevê R$ 44,2 bilhões em 2027. O estudo foi divulgado pela Reuters em 11 de setembro de 2026, e reproduzido pelo Investing.com Brasil.

O montante já contratado ou anunciado para o período de 2026 a 2030 soma R$ 201,5 bilhões. A média anual prevista para os cinco anos é de R$ 40,3 bilhões.

"No mundo todo, as maiores oportunidades para investimento em saneamento estão no Brasil. Tem muita coisa por fazer por aqui" — Rogério Yamashita, da área de financiamento de projetos do Itaú BBA, citado pela Reuters e reproduzido pelo Investing.com Brasil, 11 de setembro de 2026.

Ritmo atual de investimento fica bem abaixo da meta de universalização até 2033

O Marco Legal do Saneamento, aprovado em 2020, fixa metas para 2033. A meta é água tratada para 99% da população e coleta e tratamento de esgoto para 90%.

Para cumprir essas metas, o estudo calcula investimento total de cerca de R$ 1,2 trilhão até 2033. A conta é do Itaú BBA, em parceria com a consultoria Inter.B.

Para chegar lá no prazo, o ritmo anual precisaria subir para R$ 95,2 bilhões. O valor é mais que o dobro dos R$ 40,3 bilhões médios previstos para 2026-2030. Mesmo o pico de R$ 44,2 bilhões em 2027 fica abaixo desse patamar. Depois de 2033, o estudo projeta ainda R$ 20 bilhões anuais só de manutenção.

Leilões e debêntures bancam obras, mas números sobre o setor divergem entre fontes

Desde a aprovação do marco, em 2020, o país realizou 70 leilões de concessão de saneamento. Esses leilões somam R$ 227,5 bilhões em investimentos contratados, segundo a Abcon, associação que reúne empresas privadas do setor. Outros mais de 30 projetos estão em elaboração, somando 640 municípios e R$ 32 bilhões em investimentos planejados.

Parte do financiamento vem do mercado de capitais. R$ 67 bilhões em debêntures incentivadas já foram emitidos para financiar obras do setor. Debêntures incentivadas são títulos de dívida com isenção fiscal, usados para financiar projetos de infraestrutura. Fundos soberanos, como o de Singapura, e fundos de pensão canadenses têm mostrado interesse em entrar no setor.

"Tem muito interesse de estrangeiros no setor", disse Rogério Yamashita, do Itaú BBA, à Reuters. "Além da demanda clara, tem resiliência com contratos de concessão de longuíssimo prazo", disse Eduardo Corsetti, codiretor de infraestrutura e energia do Itaú BBA.

⚠️ Divergência identificada: Uma reportagem independente da Bloomberg Línea, publicada em 5 de maio de 2026, contabilizou 66 leilões e R$ 202 bilhões em investimentos contratados desde 2020 — números um pouco diferentes dos 70 leilões e R$ 227,5 bilhões que a Abcon atribui ao levantamento citado pelo Itaú BBA, quatro meses depois. A diferença é compatível com o intervalo entre as duas contagens, mas os números não foram reconciliados numa única fonte.

Ressalvas

Os números centrais deste texto vêm de um estudo próprio do Itaú BBA, em parceria com a consultoria Inter.B. Entre eles, o pico de R$ 44,2 bilhões em 2027, o total de R$ 1,2 trilhão até 2033 e o ritmo de R$ 95,2 bilhões ao ano. Não localizamos o relatório completo disponível para consulta pública. Os números chegam apenas pela cobertura de imprensa sobre o lançamento, sem auditoria externa.

A reportagem da NeoFeed sobre o mesmo estudo, também publicada em 11 de setembro de 2026, cita os mesmos números. Ela acrescenta uma fonte adicional, Claudio Frischtak, sócio-fundador da Inter.B, mas não constitui apuração independente dos dados — é cobertura do mesmo lançamento.

Os dados sobre leilões e debêntures da seção anterior vêm de duas fontes com datas diferentes. A Abcon, via Itaú BBA, é de setembro de 2026; a Bloomberg Línea é de maio de 2026 — e os números divergem entre si, como registrado ali.