O resultado
Quatro empresas de origem espanhola ganharam sete das oito obras de linhas de energia que o governo leiloou na sexta-feira, 30 de outubro, em São Paulo. Elas vão investir R$ 8,56 bilhões dos R$ 8,9 bilhões previstos para o leilão inteiro, segundo a Reuters, em texto republicado pelo Investing.com.
As vencedoras são a Celeo, a Cymi, a Cox e a Neoenergia, controlada pela espanhola Iberdrola. O oitavo lote ficou com a portuguesa EDP, que vai investir R$ 317 milhões.
No leilão, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) oferece o direito de construir e operar cada linha por 30 anos. Vence quem aceita receber menos por ano pelo serviço, um valor que os consumidores pagam na conta de luz.
A disputa cortou essa receita à metade. Os vencedores vão receber R$ 811,1 milhões por ano, contra um teto de R$ 1,63 bilhão fixado pela Aneel, segundo a Agência Cenário Energia. Pela conta da Aneel, o desconto médio sobre o teto foi de 50,10%.
Quem ganhou o quê
A Celeo Redes Brasil levou o maior lote, com investimento de R$ 4,11 bilhões. São 1.167 quilômetros de linhas novas em Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná, com 60 meses para entrar em operação, segundo a CNN Brasil.
A obra reforça o abastecimento de Mato Grosso do Sul e a ligação elétrica entre o Brasil e a Bolívia. A Celeo aceitou receber R$ 377 milhões por ano, 50,55% abaixo do teto de R$ 762,6 milhões.
A empresa também ganhou um lote em Rondônia, de R$ 753,2 milhões, e soma R$ 4,87 bilhões no leilão (cálculo próprio). Segundo a Reuters, a Celeo hoje pertence à Cobra IS, empresa de engenharia do grupo francês Vinci.
A Cymi ficou com dois lotes: um em São Paulo, de R$ 1,07 bilhão, e outro no Paraná, de R$ 982,5 milhões. No de São Paulo, deu o maior desconto do leilão, de 57,08%.
A Neoenergia levou dois lotes, na Bahia e na Paraíba, que somam R$ 1,16 bilhão. Na Bahia, ela e a concorrente Tradetek trocaram 150 lances de viva voz, a fase em que os concorrentes dão lances falados, um depois do outro.
Um dos dois lotes já era operado pela Neoenergia, que queria manter a concessão, segundo a Reuters. A Cox ficou com um lote no Paraná, de R$ 480,25 milhões.
A EDP levou o único lote que não foi para uma empresa espanhola. É uma ligação entre Goiás e a Bahia, com 126 quilômetros de linhas.
Quem ficou de fora
Quinze empresas e consórcios disputaram o leilão, segundo o NeoFeed. A Axia (AXIA3 🇧🇷), antiga Eletrobras, deu lances nos oito lotes e não ganhou nenhum.
A Engie Brasil (EGIE3 🇧🇷) perdeu os lotes do Paraná para a Cymi e a Cox na disputa de viva voz. A ISA Energia (ISAE4 🇧🇷) e a Taesa (TAEE11 🇧🇷), transmissoras tradicionais, não participaram, segundo a Reuters.
O presidente da Neoenergia, Eduardo Capelastegui, disse à Reuters que obras muito grandes não combinam totalmente com o perfil da empresa. Segundo ele, esses projetos trazem mais risco.
O presidente da EDP na América do Sul, João Brito, disse que o lote ficou dentro do retorno que a empresa esperava. A EDP vai continuar disputando obras de transmissão, segundo ele.
O que vem em 2027
O Ministério de Minas e Energia planeja leiloar mais R$ 50 bilhões em linhas de transmissão em 2027, em três leilões, segundo a Reuters. Cerca de R$ 30 bilhões vão para uma única linha nova de corrente contínua, tecnologia que leva muita energia por longas distâncias com menos perda.
A Neoenergia vai avaliar esse projeto, segundo a Reuters.
Os leilões federais de transmissão feitos desde 2023 somarão quase R$ 120 bilhões em investimento, contando o previsto para 2027. A conta é de Thiago Prado, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão de planejamento do governo.
Prado citou a eletrificação da indústria e dos veículos, os data centers e o hidrogênio como motivos para ampliar a rede.
Consequências
Grau A, declarada pelo regulador: a Aneel estima economia de R$ 21 bilhões para os consumidores com os descontos, segundo o NeoFeed, que cita a secretaria do órgão. O período da conta não foi informado.
Grau A, regra do leilão: as concessões duram 30 anos. As obras têm de 42 a 60 meses para ficar prontas depois da assinatura do contrato, segundo a Agência Brasil.
Ressalvas
Os investimentos são estimativas da Aneel, não o valor que as empresas vão de fato gastar. O texto de origem é da Reuters, lido na republicação do Investing.com, porque a página da agência não abre na ferramenta de pesquisa.
O comunicado oficial da Aneel com o resultado não foi localizado. Os números lote a lote vêm da Agência Brasil, da CNN Brasil e da Agência Cenário Energia, e coincidem entre essas fontes de informação.
A ligação da Celeo com a Cobra IS e o grupo Vinci aparece só na Reuters. O NeoFeed trata a Celeo, a Cymi e a Cox apenas como espanholas.
A Reuters diz que a ISA Energia e a Taesa não participaram do leilão. O NeoFeed diz que as duas tinham sinalizado ausência ou menor interesse antes da disputa.
A economia de R$ 21 bilhões estimada pela Aneel não traz período nem método nas reportagens lidas.