O recorde de setembro
A Argentina nunca extraiu tanto petróleo, graças a uma rocha que antes não dava para aproveitar. Em setembro de 2026, o país produziu 973,7 mil barris por dia, segundo a Secretaria de Energia.
O volume ficou 15,5% acima do de setembro de 2025 e 3,2% acima do de agosto de 2026. Faltam 26,3 mil barris por dia, menos de 3% da produção de setembro, para o país chegar a 1 milhão.
O pico anterior era de 1998, quando a produção ficou perto de 855 mil barris por dia. Setembro de 2026 superou essa marca em mais de 13% (cálculo próprio).
A rocha que mudou a conta
Quase todo o aumento vem de Vaca Muerta, formação de xisto na província de Neuquén, na Patagônia. Ali o petróleo fica preso em rocha pouco porosa, como água numa esponja dura.
Para liberar o óleo, as empresas racham a rocha com água, areia e produtos químicos sob alta pressão. É o fraturamento hidráulico, usado em Vaca Muerta desde 2014.
Em setembro de 2026, Vaca Muerta produziu 698,5 mil barris por dia, também recorde. Isso equivale a 71,7% de todo o petróleo argentino no mês. Em setembro de 2025, a fatia era de 64%, segundo o site argentino Infobae.
O restante, cerca de 275 mil barris por dia, vem de campos antigos, como os do Golfo San Jorge, no sul do país. Em agosto, a produção desses campos caiu 1,3% em relação a julho, segundo levantamento das consultorias Aleph Energy e Ecolatina.
Quem produz
A YPF (YPF 🇺🇸), petroleira controlada pelo governo argentino, responde por cerca de metade do petróleo de xisto do país. Em agosto de 2026, ela tirou 340 mil barris por dia de Vaca Muerta, 6% a mais que em julho.
Em setembro, a produção da YPF na formação passou de 350 mil barris por dia, segundo o site especializado Shale24. A segunda maior produtora é a Vista Energy (VIST 🇺🇸), petroleira com sede legal no México e campos em Vaca Muerta, com cerca de 12% do total em agosto.
A Pluspetrol, petroleira argentina de capital fechado, vem em terceiro, com cerca de 11,5%. As fatias de agosto são do levantamento da Aleph Energy com a Ecolatina, publicado pela Bloomberg Línea.
O petróleo que vira dólar
Em setembro de 2026, a Argentina exportou US$ 1,78 bilhão em combustíveis e energia, alta de 89,1% sobre setembro de 2025. O dado é do Indec, o instituto oficial de estatística do país, segundo o Infobae.
O saldo do setor no mês, de US$ 1,6 bilhão, equivaleu a 53% do superávit comercial argentino. De janeiro a setembro de 2026, as exportações de energia somaram US$ 12,45 bilhões, alta de 56,6% sobre os mesmos meses de 2025.
Estados Unidos e Chile compraram a maior parte do petróleo bruto exportado de janeiro a agosto de 2026. Os americanos ficaram com 33,6% e os chilenos com 21,7%.
O que falta para o milhão
A consultoria Montamat & Asociados estima que a produção chegue a 1 milhão de barris por dia no último trimestre de 2026. O Shale24 calcula que o dado oficial que confirme a marca saia entre o fim de novembro e o fim de janeiro.
As consultorias ouvidas pela Bloomberg Línea apontam dois limites: ligar poços novos à rede e ampliar o transporte até os portos. O principal reforço é o oleoduto Vaca Muerta Oil Sur, de 437 km entre Allen e Punta Colorada, na província de Río Negro.
O trecho em terra do oleoduto ficou pronto em 2026, e a capacidade prevista passa de 550 mil barris por dia. O Infobae dá o início da operação para o começo de 2027.
No Brasil, o uso do mesmo método é contestado na Justiça desde 2014, em ação do Ministério Público Federal. O Superior Tribunal de Justiça retirou o caso de pauta em 14 de outubro de 2026, e a nova data do julgamento não está confirmada.
Ressalvas
Os números de produção de setembro vêm da Secretaria de Energia, citados com o mesmo valor por Bloomberg Línea, Ámbito, Infobae e Shale24. A base de dados aberta do governo argentino não foi consultada diretamente, linha a linha.
As fatias de YPF, Vista e Pluspetrol são de agosto de 2026, de um levantamento de consultorias privadas. A produção da YPF acima de 350 mil barris por dia em setembro aparece só no Shale24.
A data do milhão de barris é projeção de consultorias, não dado. O início da operação do oleoduto também é previsão. Em setembro de 2025, o gerente-geral da obra previu outubro de 2026, em entrevista ao jornal El Economista. O Infobae dá o começo de 2027.
A data do julgamento no STJ diverge. A Agência O Globo informou em 13 de outubro que o caso iria a 5 de novembro. O Cenário Energia, com a assessoria do tribunal, informou em 14 de outubro que não há nova data.
O Infobae não assina o texto, e o Ámbito não traz autor visível na página.