Setor de serviços trava em julho e frustra previsão do mercado
O IBGE — Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — divulgou em 10 de setembro os dados de serviços de julho. O volume de serviços prestados no país ficou estável frente a junho, variação de 0,0% já livre do efeito sazonal.
O mercado esperava resultado melhor. Uma pesquisa da Reuters com economistas — confirmada pelo InfoMoney — projetava alta de 0,2% no mês. Na comparação com julho de 2025, o volume cresceu 0,9%, também abaixo dos 1,1% que os mesmos economistas previam.
O setor de serviços responde por cerca de 70% do Produto Interno Bruto brasileiro, o PIB. É uma estimativa amplamente usada pelo próprio IBGE e pela imprensa econômica. Um resultado abaixo do esperado nessa fatia da economia pesa sobre a leitura do trimestre inteiro.
"O que dá para dizer é que há uma lateralidade do setor de serviços, ele vai andando de lado desde o começo do ano" — Luiz Carlos Almeida, analista da pesquisa no IBGE, citado por Investing.com Brasil, 10 de setembro de 2026.
Em 12 meses, alta desacelera; turismo é o destaque
Nos últimos 12 meses, o volume de serviços acumula alta de 2,4%. O número foi de 2,6% até junho — um ritmo mais lento no mês mais recente. No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, a alta chega a 1,9%.
Serviços prestados às famílias, como bares e cabeleireiros, subiram 0,5% em julho ante junho. Serviços profissionais e administrativos avançaram 0,6%, e transportes e correio cresceram 0,4%. O grupo "outros serviços" subiu 0,7%. Só uma atividade recuou: informação e comunicação, que inclui telecomunicações e tecnologia, caiu 2,5%.
As atividades turísticas tiveram o melhor resultado do mês, com alta de 2,7% frente a junho. Na comparação com julho de 2025, o avanço foi mais modesto, de 0,6%. O nível está 9,4% acima de fevereiro de 2020, mês anterior ao início da pandemia — patamar que o IBGE usa como referência pré-crise.
O nível geral de serviços está 20% acima de fevereiro de 2020. Mas segue 0,2% abaixo do recorde da série histórica, batido em outubro de 2025. O setor está perto do próprio teto, sem conseguir superá-lo.
Juro ainda restritivo, com decisão do Copom a poucos dias
A taxa básica de juros, a Selic, está em 14% ao ano. O Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, decide a Selic a cada reunião. Em 5 de agosto de 2026, cortou a taxa em 0,25 ponto percentual. Foi o quarto corte seguido do mesmo tamanho. Mesmo assim, a taxa segue restritiva, segundo economistas ouvidos pela imprensa.
O mercado de trabalho aquecido e estímulos do governo ajudam a sustentar o consumo das famílias, segundo reportagens sobre o resultado. A afirmação aparece nas reportagens sobre o resultado, mas nenhuma delas traz números específicos para julho.
A próxima reunião do Copom acontece em 15 e 16 de setembro de 2026. Serão cinco dias depois da divulgação destes números. Os dados de julho devem entrar na conta dos diretores do Banco Central ao decidir se cortam a Selic de novo.
Ressalvas
O dado central vem de estatística oficial do IBGE, sem vínculo comercial com empresas do setor. A leitura sobre mercado de trabalho aquecido e estímulos do governo, citada na seção anterior, vem das reportagens consultadas. Nenhuma delas traz números específicos para julho de 2026.
A cobertura da Forbes Brasil sobre o mesmo release destacava a proximidade do recorde histórico. Ela retornou erro 403 à ferramenta de leitura e não foi consultada diretamente. O dado sobre a distância do recorde (0,2%) foi confirmado de forma independente no release oficial do IBGE.
A fala do analista Luiz Carlos Almeida aparece em dois veículos, Investing.com Brasil e TMC, com o mesmo texto. Isso sugere transcrição da mesma coletiva ou nota do IBGE. Não é uma segunda fonte independente da declaração em si.