Oferta apertada eleva margem de refino e distribuição

O mercado mundial de derivados de petróleo enfrenta oferta mais apertada desde o início de 2026. Tensões geopolíticas, ataques a instalações russas e restrições às exportações reduziram os estoques de combustíveis. O petróleo Brent subiu cerca de 30% no período, de US$ 70 para perto de US$ 90 o barril.

A alta empurrou também o chamado crack spread, a margem entre o petróleo bruto e o combustível já refinado. O crack spread da gasolina praticamente dobrou, para a faixa de US$ 50 a US$ 60 o barril. O do diesel seguiu o mesmo caminho, entre US$ 90 e US$ 100 o barril.

Dados oficiais dos Estados Unidos confirmam o aperto. A Energy Information Administration, agência de estatística de energia do governo americano, monitora o mesmo indicador no mercado local. Na primeira semana de setembro de 2026, o crack spread da gasolina em Nova York ficou perto de US$ 1 por galão, bem acima da média de 2025.

Diante desse cenário, o JPMorgan elegeu Petrobras, Vibra e Ultrapar como as ações preferidas do setor no Brasil. A escolha está em relatório do banco, de 2 de setembro de 2026.

"os estoques e a oferta de produtos seguem mais apertados" — JPMorgan, em relatório citado pelo InfoMoney, 2 de setembro de 2026.

Petrobras: refino recorde sustenta a preferência do JPMorgan

A Petrobras é a principal escolha do JPMorgan por combinar exploração e produção de petróleo com refino próprio. A companhia informou, no balanço do segundo trimestre de 2026, utilização recorde das refinarias, de 101,2%. O indicador chegou a 102,5% em abril e maio, segundo a própria empresa.

A produção de derivados somou 1,918 milhão de barris por dia, alta de 5,6% ante o primeiro trimestre. As importações de derivados caíram para 67 mil barris por dia, o menor volume trimestral da série. A queda foi de 40% frente ao trimestre anterior, segundo o balanço oficial da companhia.

O lucro líquido do período somou R$ 52,4 bilhões, alta de 97% ante o mesmo trimestre de 2025. O JPMorgan projeta a ação negociada a 3,5 vezes o Ebitda estimado para 2027. Ebitda é o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, e mede a geração de caixa operacional de uma empresa.

O banco também estima rendimento de fluxo de caixa livre de 12,8% para o mesmo ano. Esses dois números são projeção do JPMorgan, não resultado divulgado pela Petrobras.

"exposição ao refino com modelo de negócios integrado" — JPMorgan, sobre a preferência por Petrobras, em relatório citado pelo InfoMoney, 2 de setembro de 2026.

Vibra e Ultrapar: distribuição também aquecida

Vibra e Ultrapar se beneficiam do mesmo cenário pelo lado da distribuição de combustíveis. A Vibra, antiga BR Distribuidora, e a Ultrapar, dona da rede de postos Ipiranga, vendem o combustível ao consumidor final. O JPMorgan cita o déficit estrutural de diesel do Brasil, que obriga o país a importar mesmo com as refinarias no limite.

Esse quadro dá às duas distribuidoras acesso preferencial ao fornecimento da Petrobras. Também amplia o poder das duas de repassar preço ao consumidor. O banco atribui parte do ganho a um ambiente mais racional na distribuição, após medidas recentes contra o mercado irregular de combustíveis, sem detalhar quais.

O JPMorgan projeta a Vibra negociada a 6,3 vezes o Ebitda estimado para 2027. Para a Ultrapar, a projeção é de 6,5 vezes, no mesmo relatório de 2 de setembro de 2026.

⚠️ Divergência identificada: Em relatório de 30 de junho de 2026, antes dos balanços do segundo trimestre, o BofA já via o mesmo cenário favorável à distribuição. A leitura do banco foi diferente: elegeu a Vibra como preferida isolada do setor. O preço-alvo do BofA para a Vibra era de R$ 43, alta de 43,7% sobre a cotação da época. Para a Ultrapar, o alvo era de R$ 34, alta de 29,1%. A justificativa foi a maior exposição da Vibra à distribuição, que deveria responder por 85% do Ebitda estimado para 2027, ante cerca de 60% na Ultrapar, segundo o banco. O JPMorgan, no relatório mais recente, não estabelece essa hierarquia entre as duas distribuidoras.

Ressalvas

EV/Ebitda é o valor de mercado da empresa, somado à dívida, dividido pelo Ebitda. Os múltiplos citados nesta nota vêm do JPMorgan: 3,5 vezes para a Petrobras, 6,3 para a Vibra e 6,5 para a Ultrapar. São projeção do banco, não dado divulgado pelas empresas. O mesmo vale para o rendimento de fluxo de caixa livre de 12,8% atribuído à Petrobras.

Os preços-alvo do BofA para Vibra e Ultrapar têm a mesma natureza: projeção de banco, de relatório publicado antes do balanço do segundo trimestre. Os dados de produção, utilização de refino e lucro da Petrobras são os divulgados pela própria companhia, em balanço oficial.

Os números de crack spread do texto vêm de duas fontes de informação distintas. O relatório do JPMorgan, citado pelo InfoMoney, traz valores do mercado internacional. A Energy Information Administration mede o mercado americano. As duas confirmam o mesmo movimento de alta, mas não descrevem exatamente o mesmo dado.

Não há confirmação independente, fora do próprio JPMorgan, para o argumento de ambiente mais racional na distribuição, citado como uma das causas do ganho de Vibra e Ultrapar. Este artigo é informativo. Não constitui recomendação de compra ou venda, nem orientação de investimento personalizada.