LATAM lucra US$ 125 milhões com gasto de combustível 93% maior
A LATAM teve lucro líquido de US$ 125 milhões no segundo trimestre de 2026, segundo o balanço divulgado em 4 de agosto. A receita somou US$ 4,2 bilhões, alta de 28% sobre o mesmo trimestre de 2025. O grupo tem sede no Chile e opera no Brasil pela LATAM Airlines Brasil.
O gasto com combustível chegou a US$ 1,7 bilhão, 93,1% acima de um ano antes. Foram cerca de US$ 880 milhões a mais, segundo o Aeroin. Descontados os contratos que protegem a empresa contra a alta de preço, o chamado hedge, o preço efetivo pago subiu 81,3%.
A margem operacional ajustada ficou em 5,4%. O Ebitda ajustado foi de US$ 713 milhões. Ebitda é o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização. O caixa fechou junho em US$ 2,7 bilhões.
A alavancagem, dívida líquida dividida pelo Ebitda, ficou em 1,5 vez. A projeção da empresa para 2026 prevê Ebitda ajustado entre US$ 4,1 bilhões e US$ 4,4 bilhões. Prevê também alavancagem de no máximo 1,6 vez no fim do ano.
Querosene de aviação quase dobra de preço depois da guerra no Irã
O querosene de aviação subiu de R$ 3,36 para R$ 6,64 o litro entre fevereiro e maio de 2026. A alta foi de 97,6%, segundo a ANP, agência que regula o setor de petróleo. A guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã começou em 28 de fevereiro. O conflito restringiu a passagem de petróleo pelo Estreito de Ormuz, a rota marítima que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã.
O combustível passou a representar 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, segundo a Abear, associação das empresas do setor. A Petrobras cortou o preço em 14,2% em 2 de junho. Em 1º de setembro, voltou a subir o preço, em 13,9%. No ano, a alta acumulada nas refinarias chega a 53,3%, segundo a estatal.
Azul tem prejuízo ajustado de R$ 1,07 bilhão seis meses depois de sair da recuperação nos EUA
A Azul teve prejuízo líquido ajustado de R$ 1,07 bilhão no segundo trimestre de 2026, segundo o balanço de 13 de agosto. O prejuízo contábil, sem os ajustes da própria empresa, foi de R$ 1,04 bilhão. No mesmo trimestre de 2025, o prejuízo ajustado tinha sido de R$ 475,8 milhões.
A receita líquida ficou em R$ 4,97 bilhões, alta de 0,7%. O gasto com combustível subiu 41,2%, para R$ 1,96 bilhão. O litro pago pela Azul passou de R$ 3,86 para R$ 6,25. A empresa cortou 6,5% da oferta de voos no Brasil e 24,9% da oferta internacional.
A Azul saiu em 20 de fevereiro do Chapter 11, a recuperação judicial dos Estados Unidos. United Airlines e American Airlines estão entre os investidores que entraram na reestruturação. A dívida bruta caiu de R$ 34,4 bilhões para R$ 21,4 bilhões em um ano, segundo o Times Brasil. A alavancagem caiu de 5,2 para 3 vezes.
Abra, dona da Gol, perde US$ 766 milhões no trimestre
Em fevereiro de 2026, a Abra chegou a 99,95% do capital da Gol. Foi depois de uma oferta pública de compra de ações, a OPA, feita para tirar a Gol da bolsa. A Abra também controla a colombiana Avianca.
A Abra teve prejuízo líquido de US$ 766 milhões no segundo trimestre, contra US$ 178 milhões um ano antes, segundo o Air Data News. A receita subiu 17,7%, para US$ 2,6 bilhões. O gasto com combustível subiu 80,2%, para US$ 984 milhões. A alavancagem ficou em 3,7 vezes.
Os números divulgados da Gol no trimestre são de operação. A Gol transportou 8,5 milhões de passageiros, alta de 5%, e ocupou 81% dos assentos.
O prêmio da Skytrax mede o serviço, não o balanço
A Skytrax, empresa britânica de pesquisa sobre companhias aéreas, premiou a LATAM como melhor aérea da América do Sul em 18 de setembro. A LATAM levou também os prêmios de atendimento da equipe, limpeza, classe econômica, classe executiva e sala VIP em Santiago. A Singapore Airlines ficou em 1º lugar no mundo pela sexta vez.
A Azul ficou em 10º lugar no ranking mundial de companhias aéreas regionais, segundo a página da Skytrax. A Gol não aparece entre os premiados na mesma página.
O ranking sai de uma pesquisa de satisfação com passageiros, feita entre setembro de 2025 e agosto de 2026. A Skytrax diz que as companhias não pagam para participar do prêmio. A empresa também vende consultoria e auditoria às companhias que avalia.
Esse duplo papel foi o centro das críticas do blog One Mile at a Time em 2018, quando a Turkish Airlines deixou o prêmio. Em 2026, a Turkish aparece em 5º lugar. Das três empresas deste resumo, só a LATAM teve lucro no segundo trimestre.
Ressalvas
Os números de resultado vêm dos balanços das empresas, noticiados pela imprensa. Os comunicados de resultado da LATAM e da Azul não foram lidos diretamente. O comunicado da Abra foi lido, mas o prejuízo e a alavancagem vêm do Air Data News.
A LATAM e a Abra divulgam resultado em dólar, e a Azul em real. Este resumo não compara os valores entre si, porque a conversão dependeria do câmbio de cada período.
O prejuízo ajustado exclui itens que a própria empresa escolhe, e o critério muda de empresa para empresa. No caso da Azul, o prejuízo ajustado ficou maior que o contábil.
O ranking da Skytrax não pode ser conferido: a empresa não publica as respostas da pesquisa. O InfoMoney traz uma lista da América do Sul com a Azul em 2º e a Gol em 6º. A lista não aparece na página da Skytrax consultada, e o site oficial do prêmio não abriu pela ferramenta de apuração.
Nenhum balanço próprio da Gol do segundo trimestre foi localizado. A crítica ao modelo de negócio da Skytrax é de 2018, e nenhuma avaliação independente mais recente do método foi localizada.
A capa foi gerada. A busca de imagem livre achou no Unsplash uma foto de Guarulhos com um avião da LATAM em pintura de Star Wars, descartada por trazer marca de terceiro. Uma segunda foto, exibida como anúncio na página do Unsplash, era do iStock, banco pago, e também foi descartada. O acervo de imagens da NASA não se aplica a companhia aérea específica e não foi consultado.