O bitcoin passou de US$ 85 mil pela primeira vez desde janeiro

O bitcoin passou de US$ 85 mil em 21 de setembro de 2026, o maior preço desde janeiro, segundo o site de criptomoedas The Block. No mesmo dia, o InfoMoney registrou a moeda digital acima de US$ 86 mil.

O recorde do bitcoin é de US$ 126.198, marcado em 6 de outubro de 2025, segundo o site The Coin Republic. Aos US$ 85 mil, a moeda ainda estava cerca de um terço abaixo desse pico.

No terceiro trimestre, a alta ficou entre 39% e 44%, conforme a data em que a conta foi feita. Em 29 de setembro, o preço estava perto de US$ 83,9 mil, segundo o site financeiro Benzinga.

US$ 648 milhões em apostas de queda foram encerradas à força em 24 horas

Boa parte da alta de 21 de setembro veio de compras forçadas, segundo o site especializado CoinDesk. Quem tinha apostado na queda com dinheiro emprestado foi obrigado a recomprar a moeda quando o preço subiu.

Nesse tipo de aposta, a corretora encerra a posição quando o prejuízo consome a garantia depositada pelo cliente. Encerrar uma aposta de queda exige comprar a moeda, e essa compra empurra o preço para cima.

Em 24 horas, US$ 648 milhões em apostas de queda em criptomoedas foram encerrados assim. O dado é da CoinGlass, empresa que reúne números de corretoras de criptomoedas. Somadas as apostas de alta, as posições encerradas à força chegaram a US$ 747 milhões.

Só as posições em bitcoin responderam por US$ 360,7 milhões desse total, segundo o The Block. Pedro Fontes, analista do Mercado Bitcoin, corretora brasileira de criptomoedas, citou ao InfoMoney cerca de US$ 400 milhões encerrados em quatro horas.

Segundo Fontes, as compras diretas da moeda, sem dinheiro emprestado, superaram as vendas em cerca de US$ 332 milhões.

As apostas não diminuíram depois da alta. O valor das apostas ainda abertas em contratos de criptomoedas subiu 7,59%, para US$ 156 bilhões, segundo o CoinDesk. Para o site, os investidores correram atrás do movimento em vez de sair dele.

⚠️ Divergência identificada: Pedro Fontes, do Mercado Bitcoin, cita cerca de US$ 400 milhões em apostas de queda encerradas em quatro horas. O The Block registra US$ 360,7 milhões em posições de bitcoin encerradas em 24 horas. A matéria do InfoMoney não diz se o número de Fontes inclui outras criptomoedas.

Os fundos de bitcoin nos EUA tiveram a maior entrada semanal desde outubro de 2025

Os fundos negociados em bolsa nos EUA que compram bitcoin receberam US$ 2,4 bilhões na semana encerrada em 25 de setembro. Foi a maior entrada semanal desde outubro de 2025, segundo o The Block.

O site usa dados da SoSoValue, empresa que acompanha o dinheiro que entra e sai desses fundos. Com a semana, o saldo dos fundos em 2026 virou positivo, em US$ 934,1 milhões.

Em 8 de setembro, o saldo do ano ainda estava cerca de US$ 1 bilhão negativo, segundo o CoinDesk. Só em junho, os fundos perderam US$ 4,51 bilhões.

O fundo da gestora americana BlackRock recebeu US$ 1,2 bilhão na semana, segundo o The Block. O da Fidelity, outra gestora americana, recebeu US$ 701,7 milhões.

A semana anterior tinha sido fraca, com entrada de US$ 6,2 milhões até 18 de setembro, segundo o The Block. Só na sexta-feira, 18, os fundos receberam US$ 433 milhões, segundo o InfoMoney.

⚠️ Divergência identificada: O The Block registra US$ 6,2 milhões de entrada na semana até 18 de setembro. O InfoMoney registra US$ 433 milhões só em 18 de setembro. Pela leitura deste resumo, os dois números podem conviver, porque um mede o dia e o outro, a semana inteira, com saídas nos dias anteriores. Nenhuma das duas fontes de informação faz essa conta.

Analistas apontam causas diferentes para a alta

Marco Aurélio de Camargos, diretor de investimentos da gestora Vault Capital, liga a alta à notícia de que os EUA abandonaram uma grande operação militar. A matéria do InfoMoney não diz qual operação.

Para Camargos, se a alta depender só de apostas com dinheiro emprestado, esse dinheiro tende a sair na próxima queda. Ele recomendou cautela no curto prazo.

A Tagus Capital, firma que investe em criptomoedas, atribui a alta à decisão da SEC, a comissão que regula o mercado de capitais dos EUA, segundo o InfoMoney. Em 17 de setembro, a SEC liberou por cinco anos a negociação de versões digitais de ações americanas.

Essas versões ficam registradas em blockchain, a tecnologia de registro usada pelas criptomoedas. A liberação vale para até 75 ações das maiores empresas, com volume de até 0,25% da média diária de cada uma, segundo o escritório de advocacia Skadden.

No resumo do Skadden, o texto da SEC não menciona o bitcoin. Os analistas Matheus Parizotto e Vinicius Bitelo, do BTG Pactual, disseram ao InfoMoney que a agenda de regras nos EUA é positiva para o setor a médio e longo prazo.

Eric Balchunas, analista de fundos da Bloomberg, liga o dinheiro nos fundos às recompras de títulos anunciadas pelo Tesouro dos EUA, segundo o The Block. Ele chamou o movimento de tsunami de dinheiro de US$ 4,6 bilhões.

Pedro Fontes, do Mercado Bitcoin, vê como sinal positivo a velocidade com que o bitcoin absorveu notícias negativas, segundo o InfoMoney.

"Se a alta continuar só em derivativos, é alta financiada, e a alavancagem que entrou comprando hoje vira a liquidez da próxima correção." — Marco Aurélio de Camargos, Vault Capital, ao InfoMoney

Ressalvas

Distância do recorde. O InfoMoney diz que o bitcoin segue 48% abaixo do recorde de US$ 126 mil. Pela conta deste resumo, US$ 86 mil fica cerca de 32% abaixo do pico, e o The Block fala em 32,5%. Os 48% equivalem à alta que falta para voltar ao recorde, e não à distância abaixo dele.

Alta no trimestre muda com a data da conta. O InfoMoney fala em cerca de 44% no terceiro trimestre, em 21 de setembro. A Benzinga fala em 38,9% em 29 de setembro, com o preço mais baixo. O trimestre fecha em 30 de setembro, e o número final não estava disponível.

Causas são opinião. A operação militar, a decisão da SEC e as recompras do Tesouro são explicações de analistas nomeados, não fatos medidos. Nenhuma fonte de informação separa quanto da alta veio de cada uma.

Dados de uma só empresa. Os números de apostas encerradas à força vêm da CoinGlass, que reúne dados das corretoras sem auditoria independente.

Não é recomendação. A matéria de origem pergunta se é hora de investir em bitcoin e cita faixas de preço acompanhadas por analistas. Este resumo deixa essas previsões de fora e não recomenda compra nem venda.

Fontes de informação não abertas. A CNBC recusou o acesso da ferramenta de leitura, com erro 403, e a Reuters está fora do alcance dela. Nenhuma das duas foi contornada.