A Anthropic quer estrear na bolsa em novembro

A Anthropic, empresa que faz o assistente de inteligência artificial Claude, quer vender ações ao público pela primeira vez em novembro. Com isso, pode levantar até US$ 100 bilhões, segundo o Wall Street Journal, citado pela CNN. A oferta avaliaria a empresa em cerca de US$ 2 trilhões. Nesse valor, a Anthropic entraria entre as dez empresas mais valiosas do mundo, pelas contas da CNN.

Em junho, a Bloomberg informou que a empresa pensava em abrir capital já em outubro. Em 2 de outubro, a mesma Bloomberg relatou um plano para meados de novembro. A apresentação da oferta a investidores pode começar na semana de 9 de novembro. As ações começariam a ser negociadas antes de 26 de novembro, feriado de Ação de Graças nos EUA. A Reuters, citada pelo site de investimentos Motley Fool, informou que a estreia não deve vir antes das eleições legislativas americanas de 3 de novembro.

Os bancos Morgan Stanley (MS 🇺🇸) e Goldman Sachs (GS 🇺🇸) lideram a operação, com o JPMorgan (JPM 🇺🇸), segundo a Bloomberg. Em junho, a Anthropic entregou à SEC, a comissão que regula a bolsa nos EUA, o documento com as contas e os riscos da oferta, chamado prospecto. A entrega foi confidencial, e a versão pública ainda não saiu.

⚠️ Divergência identificada: A CNN atribui ao Wall Street Journal a captação de até US$ 100 bilhões e a avaliação de cerca de US$ 2 trilhões. O Motley Fool atribui os mesmos números à Reuters. Os dois veículos podem ter publicado os números, e o texto original de nenhum deles foi lido.

O preço discutido é o dobro do da última rodada

Em maio de 2026, investidores privados avaliaram a Anthropic em US$ 965 bilhões, segundo a Bloomberg e o TechCrunch. Os US$ 2 trilhões discutidos agora equivalem a pouco mais que o dobro desse valor, em cálculo deste resumo. Segundo a Bloomberg, parte dos possíveis compradores vê como razoável uma faixa entre US$ 1,8 trilhão e US$ 2 trilhões.

A SpaceX (SPCX 🇺🇸), empresa de foguetes de Elon Musk, captou cerca de US$ 86 bilhões na sua estreia, segundo a CNN. Ela começou a ser negociada valendo US$ 1,77 trilhão. A segunda colocada, a petroleira Saudi Aramco, levantou cerca de US$ 29 bilhões em 2019. Se a Anthropic chegar aos US$ 100 bilhões, a oferta passa a da SpaceX como a maior da história, pelas contas da CNN.

Jay Ritter, professor emérito da Universidade da Flórida, disse à CNN que a SpaceX foi “um caso absolutamente fora da curva”.

O prospecto mostra prejuízo de US$ 42 bilhões em 2025

A Reuters e o Financial Times leram o prospecto confidencial e publicaram parte dos números. A receita de 2025 foi de US$ 4,6 bilhões, cerca de 12 vezes a de 2024, segundo a Reuters. O prejuízo das operações, antes de juros e ajustes contábeis, passou de US$ 2,98 bilhões em 2024 para US$ 8,06 bilhões em 2025.

O prejuízo líquido de 2025 chegou a US$ 42 bilhões. A diferença vem quase toda de um ajuste contábil de US$ 34 bilhões, sem saída de dinheiro do caixa, segundo a Reuters. O ajuste reflete a alta no valor estimado de títulos que podem ser convertidos em ações da empresa. A Anthropic terminou 2025 com US$ 20,28 bilhões em caixa.

No segundo trimestre de 2026, a receita passou de US$ 11,5 bilhões, segundo o Financial Times. Cerca de um quarto da receita vem de apenas dois clientes, segundo o mesmo jornal, citado pela Fortune.

Pelos US$ 2 trilhões, a empresa valeria cerca de 435 vezes a receita de 2025, em cálculo deste resumo. Se a receita do segundo trimestre se repetisse por quatro trimestres, somaria US$ 46 bilhões. Nessa conta, a avaliação cairia para cerca de 43 vezes a receita anual.

A empresa se comprometeu a gastar US$ 518 bilhões em computação e data centers, com seis parceiros, ao longo de cerca de uma década. Perto de 80% desse valor não pode ser cancelado sem multa, segundo a Reuters.

O próprio prospecto alerta para risco à humanidade

Cerca de um terço do prospecto trata de fatores de risco, segundo o TechCrunch. Entre eles, a empresa escreve que seus modelos podem trazer “risco catastrófico ou existencial para a humanidade”, segundo a Reuters, citada pela CNN.

A CNN aponta a alta dos juros e o choque de energia provocado pela guerra com o Irã como obstáculos à estreia. Ao mesmo tempo, o índice de ações Nasdaq Composite era negociado perto da máxima histórica.

Angelo Zino, analista de tecnologia da CFRA Research, empresa americana de análise de investimentos, disse à CNN esperar “um apetite e uma demanda muito fortes” pelas ações. Jay Ritter foi mais cauteloso: “Se a empresa executar seu modelo de negócios, vai se sair bem. Mas muitas vezes as coisas não dão certo”.

Ressalvas

Os números financeiros vêm de um prospecto que ainda não é público. Eles foram lidos pela Reuters e pelo Financial Times. Chegaram a este resumo por meio da Fortune, do The Next Web, do TechCrunch e da CNN. A versão pública, quando sair, pode trazer números diferentes.

A captação de até US$ 100 bilhões e a avaliação de cerca de US$ 2 trilhões são números em discussão, não preço fixado. O preço por ação é definido no fim da oferta. A data também pode mudar, como já mudou de outubro para novembro.

O texto original do Wall Street Journal não foi lido, e os números atribuídos a ele vêm da CNN. A Reuters não pôde ser lida pela ferramenta de pesquisa, e seus números chegam por veículos que a citam. O relato da Bloomberg de 2 de outubro foi lido por meio do PANews, e o de junho, por meio do Yahoo Finance. A CNBC recusou a leitura, sem tentativa de contorno.

A bolsa em que as ações serão negociadas não foi confirmada em fontes de informação independentes e ficou fora do texto.

Divulgação de conflito de interesse. Este artigo é sobre a própria Anthropic, fabricante da inteligência artificial que utilizo na pesquisa e na redação deste texto. A relação não é incidental: a Anthropic é o próprio assunto do artigo. Nenhum dado foi obtido junto à Anthropic. Os números vêm de reportagens de veículos de imprensa sobre um documento que a empresa ainda não tornou público.