Mais que o dobro de cinema, música, livros e museus

Em 2025, os americanos puseram em apostas esportivas mais que o dobro do que salas de cinema, gravadoras, shows, editoras e museus faturaram juntos. Foram US$ 166,94 bilhões apostados, alta de 11% sobre 2024. O número vem da American Gaming Association, a associação das empresas de jogos dos EUA, que soma os relatórios dos reguladores estaduais.

A comparação foi feita pela revista Fortune, em reportagem de 3 de outubro de 2026. A revista somou a receita de 2025 de cinco atividades culturais e chegou a cerca de US$ 70 bilhões. O volume apostado equivale a 2,4 vezes essa soma, pelo cálculo deste resumo.

A bilheteria de cinema da América do Norte somou US$ 8,87 bilhões, segundo a revista especializada Screen Daily, ainda 22% abaixo do nível anterior à pandemia. A música gravada faturou o recorde de US$ 11,5 bilhões, segundo a RIAA, a associação das gravadoras. Shows e festivais renderam US$ 18,51 bilhões, pela estimativa da consultoria Mordor Intelligence.

As editoras de livros declararam US$ 14,6 bilhões à AAP, a associação do setor. Os museus dos EUA faturaram cerca de US$ 16,4 bilhões, pela estimativa da consultoria IBISWorld.

As casas de apostas ficam com um quarto disso

Mais de 90% do valor apostado volta aos apostadores como prêmio, como a própria Fortune registra. Em 2025, as casas ficaram com US$ 16,96 bilhões, segundo a American Gaming Association.

Essa receita equivale a cerca de um quarto da soma das cinco atividades culturais, pelo cálculo deste resumo. Comparada na mesma base, ela fica atrás da receita de shows e festivais, de US$ 18,51 bilhões. E fica pouco acima da receita estimada dos museus, de US$ 16,4 bilhões.

Dividida pelo volume apostado, a receita mostra que as casas ficaram com cerca de US$ 10 de cada US$ 100 apostados em 2025. A conta também é deste resumo.

⚠️ Divergência identificada: A Fortune compara os US$ 166,94 bilhões apostados com a receita das atividades culturais. São medidas diferentes: o valor apostado inclui o que volta aos apostadores como prêmio. Na mesma base, a receita das casas de apostas foi de US$ 16,96 bilhões. Este resumo traz as duas comparações.

Receita cresce no dobro do ritmo das apostas

Em 2025, a receita das casas de apostas esportivas subiu 22,8%, e o volume apostado subiu 11%, segundo a American Gaming Association. Com isso, as casas passaram a ficar com uma parte maior de cada dólar apostado.

Em 2024, elas ficavam com pouco mais de US$ 9 de cada US$ 100, pelo cálculo deste resumo a partir das taxas de crescimento da associação. Em 2025, ficaram com cerca de US$ 10.

Os estados arrecadaram US$ 3,71 bilhões em impostos sobre apostas esportivas em 2025, alta de 32,4%. Todo o jogo comercial dos EUA, de cassinos a apostas pela internet, faturou US$ 78,72 bilhões, alta de 9,2%.

O número oficial deixa apostas de fora

O economista Victor Matheson, da faculdade Holy Cross, estuda apostas esportivas e diz à Fortune que a cifra de US$ 165 bilhões a US$ 170 bilhões "é baixa". A conta da associação cobre o jogo comercial e deixa de fora os cassinos administrados por povos indígenas.

Só a Flórida, onde as apostas passam por esses cassinos, responderia por US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões, segundo Matheson. Ele estima ainda entre US$ 50 bilhões e US$ 100 bilhões apostados nos mercados de previsão, plataformas que vendem contratos sobre o resultado de eventos.

Entre essas plataformas estão a Kalshi e a Polymarket, empresas de capital fechado. A Kalshi enfrenta ordens para parar de operar ou processos em pelo menos seis estados, segundo a Fortune. A empresa sustenta que a lei federal dos mercados futuros prevalece sobre as leis estaduais de jogo.

Atraso no cartão de crédito sobe onde a aposta foi liberada

Nos estados que liberaram as apostas esportivas, os atrasos de pagamento subiram, segundo estudo do Federal Reserve de Nova York, uma das unidades do banco central americano, publicado em 25 de março de 2026. Os economistas Jacob Goss e Daniel Mangrum usaram registros da agência de crédito Equifax de mais de 30 estados, de 2018 a 2025.

Três anos depois da liberação, a parcela de pessoas com alguma conta em atraso subiu mais de 0,5 ponto percentual, sobre uma base de 10,7%. Entre os menores de 40 anos, o atraso no cartão de crédito subiu 1,02 ponto, e no financiamento de carro, 0,55 ponto.

Cerca de 3% da população passa a apostar depois da liberação, segundo o estudo. Nesse grupo, a alta do atraso chega a perto de 10 pontos percentuais, quase o dobro da taxa de partida. Matheson diz à Fortune que cerca de 95% das perdas ficam com 5% dos apostadores.

Ressalvas

A comparação da Fortune põe lado a lado o valor apostado e a receita das atividades culturais, que são medidas diferentes. Este resumo mantém a comparação e traz ao lado a receita das casas de apostas, que mede a mesma coisa que a receita da cultura.

Os números da cultura vêm da reportagem da Fortune e não foram conferidos nas publicações de origem. Dois são estimativas de consultorias: IBISWorld para museus e Mordor Intelligence para shows. Dois são declarados por associações do próprio setor: RIAA para música gravada e AAP para livros. Nenhum é auditado. A bilheteria cobre a América do Norte, incluindo o Canadá, e não só os EUA.

A American Gaming Association representa as empresas de jogos e é parte interessada. Os números dela, porém, somam os relatórios públicos dos reguladores estaduais. A parte de cada aposta que fica com as casas, em 2024 e 2025, é cálculo deste resumo.

As estimativas de Matheson sobre a Flórida, os mercados de previsão e a concentração das perdas não vêm acompanhadas de estudo citado. Os números do Federal Reserve de Nova York vêm do resumo publicado no blog da instituição; o estudo completo não foi lido. O estudo mede o que acontece depois da liberação, e não o efeito de cada apostador individual.