A OpenAI passou a vender no Brasil com equipe própria

A OpenAI vende o ChatGPT, o programa que responde por escrito a perguntas escritas e hoje também gera imagem, código e áudio. Em 18 de agosto de 2026 a empresa passou a vendê-lo no Brasil com gente própria: inaugurou em São Paulo uma operação comercial, com equipe de vendas, de suporte e de implantação.

O escritório havia sido anunciado em 28 de agosto de 2025. Na época a companhia mantinha dois funcionários no país, e não disse quantos passariam a trabalhar no espaço. A inauguração fecha esse intervalo de um ano.

Oliver Jay, vice-presidente de estratégia e operações internacionais, disse que a empresa está contratando engenheiros de implementação no Brasil. Esse profissional entra na empresa cliente, liga o ChatGPT aos sistemas que ela já usa e ajusta o que não encaixa. Jay resumiu a lógica da abertura: quanto mais perto do cliente, melhor a empresa entende o que ele precisa.

Os números que a empresa declarou sobre si mesma

Jay apresentou a posição do Brasil no negócio da OpenAI. O país está "definitivamente no top 5" em receita, é o terceiro em usuários ativos, atrás de Estados Unidos e Índia, e o segundo em programadores que usam a API — o canal técnico pelo qual outro programa conversa com os modelos da empresa e paga por uso. O Brasil é ainda o maior mercado latino-americano do Codex, a ferramenta da casa que escreve e corrige código.

Brasileiros mandam cerca de 215 milhões de mensagens por dia ao ChatGPT, e 35% delas tratam de trabalho. O português é a terceira língua mais usada no modo de voz, embora seja a oitava mais falada no mundo. Em geração de imagem, o Brasil é o primeiro do mundo. A divisão que vende para empresas cresceu cinco vezes em doze meses.

Nenhum desses números é auditado. A OpenAI tem capital fechado, não publica balanço e não abre receita por país. Quem quiser conferir não tem onde.

⚠️ Divergência identificada: A Bloomberg Línea e o Canaltech registram o top 5 como posição em receita. O Tempo registra top 5 em assinaturas pagas. São medidas diferentes — assinatura é uma das linhas de receita, ao lado do consumo da API e dos contratos corporativos — e a distinção não foi esclarecida no evento.

O único número com versão anterior

Um dos dados declarados tem par para comparação. Em 4 de novembro de 2025, numa publicação no próprio site, a OpenAI registrou cerca de 140 milhões de mensagens diárias no Brasil. Nove meses depois declarou 215 milhões. A diferença é de 53,6%, cálculo próprio a partir dos dois números da empresa.

Volume de mensagem mede tráfego. Não diz quanto o usuário paga, quanto tempo permanece nem se voltou no dia seguinte. A mesma publicação de 2025 já colocava o Brasil entre os três maiores em uso semanal e entre os dois maiores em programadores na API, o que torna a posição anunciada agora uma confirmação, não uma novidade.

Seis instituições assinaram, uma delas só carta de intenções

O ITA passa a oferecer o ChatGPT Edu, a versão para instituições de ensino, a alunos, professores e servidores. A Enter treina o setor jurídico. A Estímulo leva formação em inteligência artificial a micro e pequenos empreendedores. O IMPA e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP recebem US$ 1 milhão cada, mais até US$ 1 milhão em créditos de uso da API, para projetos de pesquisa; o estudo do Hospital das Clínicas trata de sistemas de informação clínica apoiados por inteligência artificial, e os resultados são esperados para 2027. Com a Prodam, empresa de tecnologia da Prefeitura de São Paulo, a OpenAI assinou carta de intenções para explorar usos municipais — não contrato.

Foram citados como clientes já em operação o Itaú, o Nubank, a Localiza, o Grupo Boticário, o Insper e a Rappi. O Nubank desenvolve um gerente digital de investimentos, função que os bancos hoje reservam ao cliente de alta renda.

A projeção de R$ 986,7 bilhões foi paga pela própria OpenAI

A OpenAI divulgou em 13 de agosto de 2026 um estudo da consultoria Reglab, que ela mesma contratou. O estudo estima que a adoção de inteligência artificial pode acrescentar até R$ 986,7 bilhões ao Produto Interno Bruto brasileiro entre 2027 e 2030 — 7,6% do PIB estimado para 2026, de R$ 12,9 trilhões, ou 2,77% acumulados no período, o que dá média de 0,69 ponto percentual ao ano.

A indústria de transformação responderia por R$ 264,2 bilhões, outros serviços por R$ 165,4 bilhões, o comércio por R$ 131,2 bilhões e informação e comunicação por R$ 49,3 bilhões. Dois terços do efeito viriam do ganho de produtividade do trabalhador; o restante, da eficiência do capital.

O número depende de a tecnologia ser adotada nesse ritmo. Não é dinheiro contratado, não é investimento anunciado e não é projeção do governo brasileiro.

Data center no Brasil: conversa, não anúncio

Perguntado sobre construir data center no país, Jay disse que a OpenAI está "definitivamente aberta a ter conversas e investigar o que isso poderia significar". Não houve anúncio de obra, de valor nem de prazo.

A pergunta tem contexto local. O programa ReData, do Ministério da Fazenda, parte do diagnóstico de que o Brasil importa cerca de 60% dos dados que consome — o processamento acontece em servidor no exterior, e o país paga por isso. Segundo o Ministério de Minas e Energia, nos dois primeiros meses de vigência da medida provisória do programa os pedidos de conexão elétrica de data centers em análise subiram 32%, de 19,8 GW para 26,2 GW.

A OpenAI concentra sua capacidade de processamento nos Estados Unidos. O projeto Stargate, anunciado em janeiro de 2025 com SoftBank e Oracle, prevê US$ 500 bilhões em quatro anos, e o campus de Ohio soma 8 GW contratados para a empresa.

Ressalvas

Nenhum número de posição de mercado deste artigo é auditado. A OpenAI tem capital fechado, não publica demonstrações financeiras nem receita por país. "Top 5 em receita", "terceiro em usuários" e "crescimento de cinco vezes" são posições declaradas por um executivo da empresa, sem registro público que permita conferência.

A receita global citada pela Bloomberg Línea — mais de US$ 20 bilhões em 2025 e um ritmo anualizado a caminho de superar US$ 40 bilhões — é atribuída a reportagem da Bloomberg News, não a demonstração financeira publicada.

A empresa disse que os usuários brasileiros quase dobraram desde 2025, mas não deu o número atual. O último absoluto conhecido é de 50 milhões de usuários mensais, de agosto de 2025. Multiplicar um pelo outro seria inferência, não dado, e por isso o valor não aparece neste texto.

O estudo de PIB foi contratado pela empresa cujo produto ele avalia. Isso não o invalida, e a metodologia está descrita, mas o financiador é parte interessada no resultado.

A distinção entre top 5 em receita e top 5 em assinaturas pagas não foi esclarecida no evento, e os veículos divergem sobre qual das duas o executivo afirmou.

Toda a cobertura decorre do mesmo evento de 18 de agosto de 2026, em São Paulo. Os seis veículos apuraram de forma independente, com perguntas e recortes distintos, mas a fonte dos dados é única.

A Forbes Brasil devolveu erro 403 à ferramenta de coleta e não foi acessada por outro meio.

Este resumo é informativo. Não constitui recomendação de compra ou venda, nem aconselhamento financeiro.