O juro de 10 anos dos EUA voltou ao nível de 2002

Emprestar dinheiro ao governo dos Estados Unidos por dez anos passou a render 5,34% ao ano. A taxa foi atingida em 1º de outubro de 2026, segundo a Quartz, site americano de economia, e a rede CNN.

Os 5,34% são o nível mais alto desde 2002. O número vem dos títulos de dez anos do Tesouro americano, os papéis que o governo vende para financiar a própria dívida.

Essa taxa serve de referência para o financiamento imobiliário e para o crédito a empresas nos EUA.

Pela tabela oficial do Tesouro, a taxa estava em 4,96% em 21 de setembro e fechou em 5,29% no dia 30. São 0,33 ponto percentual em sete pregões, pela conta deste resumo.

O título de 30 anos seguiu o mesmo caminho. Passou de 5,29% para 5,64% no mesmo período e chegou a 5,68% em 1º de outubro, segundo a Quartz.

⚠️ Divergência identificada: A Quartz e a CNN dão 5,34% para 1º de outubro, taxa negociada durante o dia. A tabela oficial do Tesouro registra 5,29% no fechamento de 30 de setembro, último dado oficial disponível.

Reino Unido, França e Alemanha também pagam mais

No Reino Unido, o título de 30 anos do governo passou de 6% ao ano. Não chegava a esse nível desde 1998, segundo a CNN.

Na Alemanha, o título de dez anos rendia 3,63% em 1º de outubro, segundo a Quartz. A França paga 1,32 ponto percentual a mais que a Alemanha no mesmo prazo, a maior diferença em 14 anos.

Erik Liem, do banco alemão Commerzbank, chamou de preocupante o comportamento dessa diferença, segundo a Quartz.

O governo francês anunciou venda recorde de títulos e apresentou um orçamento voltado a cortar o déficit, segundo a Semafor, site americano de notícias.

Combustível, economia forte e dívida puxam a alta

A economia americana cresce mais que o esperado. O PIB do segundo trimestre foi revisado para cima, segundo a Quartz, e o desemprego está em 4,1%, segundo a CNN.

O combustível ficou mais caro. O presidente Donald Trump rejeitou um cessar-fogo com o Irã, e o Estreito de Ormuz, rota de parte do petróleo mundial, segue fechado, segundo a Quartz.

A inflação americana está acima da meta do Federal Reserve, o banco central dos EUA. Investidores passaram a esperar novas altas de juros pelo Fed, segundo a CNN.

Na Europa, a inflação de França, Alemanha, Itália e Espanha veio acima do que os analistas previam, segundo a Semafor, com base na Bloomberg.

Quem compra título de governo passou a exigir juro maior para compensar a inflação e o volume crescente de dívida, segundo a CNN.

"Há uma carnificina no mercado de títulos", disse Neil Wilson, do banco dinamarquês Saxo, à CNN. JoAnne Bianco, da gestora BondBloxx, disse à Quartz que o juro alto por mais tempo virou juro muito mais alto por muito mais tempo.

Crédito e dívida americana ficam mais caros

O financiamento imobiliário de 30 anos nos EUA passou de 7% ao ano pela primeira vez desde o começo de 2025, segundo a CNN.

O escritório de orçamento do Congresso americano previa juro de 10 anos entre 4,1% e 4,4%. O dado é citado pelo Cato Institute, centro de estudos de Washington.

Ryan Bourne e Nathan Miller, do Cato, calcularam o efeito de um juro um ponto acima dessa previsão por dez anos. Nessa hipótese, a dívida acumulada entre 2027 e 2036 ficaria US$ 3,8 trilhões maior.

A dívida americana nas mãos do público soma US$ 32,4 trilhões, segundo o Cato. Cerca de US$ 10 trilhões vencem em até 12 meses e terão de ser refinanciados.

O juro médio que o governo paga hoje sobre essa dívida está pouco abaixo de 3,5%, segundo o mesmo estudo.

Ressalvas

Os 5,34% são a taxa negociada em 1º de outubro, citada pela Quartz e pela CNN. A tabela oficial do Tesouro traz fechamentos só até 30 de setembro, quando a taxa era de 5,29%.

Um título de reportagem da CNBC do dia 1º informa que as taxas recuaram das máximas. O texto da CNBC não pôde ser lido.

A conta de US$ 3,8 trilhões é do Cato, centro de estudos que defende corte de gastos. Ela parte de uma hipótese, juro um ponto acima da previsão por dez anos, e não é projeção oficial.

As causas da alta são as apontadas pelos veículos e analistas citados. Nenhum deles mede quanto pesa cada causa.

A reportagem da CNN foi lida na reprodução da emissora afiliada ABC17 News. Os sites da CNN e da CNBC recusaram o acesso da ferramenta de pesquisa, a Bloomberg exige assinatura e a Reuters está fora do alcance da ferramenta.

Taxas de juro mudam a cada pregão. Os números deste texto valem para as datas indicadas.