Orçamento sobe para R$ 50,4 bilhões, alta de 7,7%

Os bancos brasileiros vão gastar R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026. O valor é 7,7% maior que os R$ 46,8 bilhões investidos em 2025. Os dados vêm da 34ª Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, feita pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) com a consultoria Deloitte. A pesquisa foi apresentada no Febraban Tech, o maior evento de tecnologia do setor financeiro no Brasil, em agosto de 2026, em São Paulo.

Rodrigo Mulinari é diretor de Tecnologia do Banco do Brasil e responsável pela pesquisa. Para ele, a tecnologia deixou de ser só uma forma de ganhar eficiência e virou um diferencial competitivo. Segundo ele, o cliente já sente essa diferença na segurança das transações, na velocidade dos serviços e na personalização dos produtos que o banco oferece.

"A tecnologia deixou de ser uma alavanca de eficiência para se tornar uma alavanca de diferencial competitivo" — Rodrigo Mulinari, diretor de Tecnologia do Banco do Brasil, no Febraban Tech 2026.

Cibersegurança é prioridade para 100% dos bancos

A cibersegurança aparece em primeiro lugar entre as prioridades de tecnologia para 100% dos bancos ouvidos na pesquisa. O setor deve destinar cerca de R$ 5 bilhões à área em 2026 — um décimo do orçamento total de TI.

Oitenta e oito por cento das instituições já integram segurança, prevenção a fraudes e combate à lavagem de dinheiro numa única estrutura. Cinquenta e oito por cento têm hoje um especialista em segurança no próprio conselho de administração, e 88% priorizam a autenticação multifator para proteger contas e transações.

Segundo Eduarda Davidovic, diretora de Inovação e Tecnologia Bancária da Febraban, processar dados com inteligência artificial exige ter a infraestrutura de segurança pronta antes. Setenta e um por cento dos bancos consideram a computação quântica relevante para a segurança no curto e no médio prazo. Mas a pesquisa estima que as primeiras aplicações práticas só devem aparecer em 2029.

Nuvem cresce quatro vezes mais rápido que o orçamento total

O investimento em computação em nuvem deve crescer 30% em 2026, para R$ 3,9 bilhões. É quase quatro vezes o ritmo do orçamento total de tecnologia, que cresce 7,7% no mesmo período. Setenta e dois por cento dos bancos pretendem ampliar os aportes nessa área.

No Open Finance, sistema que permite o compartilhamento de dados entre instituições com autorização do cliente, 61% das soluções já rodam na nuvem. Já no Core Banking, que reúne os sistemas mais críticos de cada banco, essa fatia era de 21% ao fim de 2025.

Para Rodrigo Mulinari, da pesquisa, essa migração é fundamental para acompanhar o crescimento constante do volume de transações bancárias no país.

Open Finance amplia uso de dados compartilhados

O Open Finance ganha peso nas estratégias de personalização dos bancos. Cinquenta e três por cento das instituições pretendem ampliar o uso desses dados compartilhados em 2026.

Metade dos bancos pesquisados, 51%, já usa esses dados em seus motores de CRM — os sistemas que organizam o relacionamento com o cliente e orientam ofertas de produtos. A personalização de produtos e serviços é hoje prioridade para 68% das instituições, e 80% colocam a experiência do cliente no centro da própria estratégia.

Inteligência artificial já eleva a eficiência em quase 12%

A adoção de inteligência artificial nos processos bancários já gerou um aumento médio de 11,8% na eficiência operacional, segundo a pesquisa. O uso de IA no atendimento ao cliente também cresce: as interações feitas por chatbots subiram 70% no período.

Os bancos investiram R$ 834 milhões em inteligência artificial em 2025, alta de 39% sobre 2024. A expectativa é que esse valor passe de R$ 1 bilhão em 2026. Somado ao investimento em análise de dados, o total dedicado a IA e dados chega a R$ 3 bilhões neste ano.

A chamada IA agêntica — sistemas que tomam decisões e executam tarefas sozinhos, sem intervenção humana a cada passo — ainda está no início. Dezesseis por cento dos bancos já usam esse tipo de agente em larga escala, e outros 52% fazem testes ou projetos-piloto.

"Se a IA não tiver contexto de negócio, ela vira custo e não resultado" — Ivo Mósca, diretor-executivo de Inovação, Produtos e Segurança da Febraban.

Bancos aumentam o investimento em capacitação tecnológica

Em 2025, os bancos investiram R$ 100,4 milhões em treinamento de tecnologia. A Febraban, no material do Febraban Tech, afirma que essa capacitação alcançou mais de 226 mil profissionais no período.

Para 2026, a expectativa é destinar R$ 29,4 milhões para capacitação em inteligência artificial e em IA generativa, a tecnologia que gera textos e imagens a partir de comandos. É uma alta de 31% sobre o valor gasto com esse fim em 2025.

⚠️ Divergência identificada: O número de profissionais capacitados em tecnologia em 2025 diverge entre fontes de informação: o material do Febraban Tech registra mais de 226 mil profissionais, e a ConvergênciaDigital, cobrindo a mesma pesquisa, registra 211 mil bancários capacitados em TI e cibersegurança — um recorte possivelmente mais estreito que o da Febraban. O texto adota o número da fonte de origem.

Ressalvas

Os números de orçamento, nuvem e inteligência artificial citados neste artigo são autodeclarados pelos bancos que responderam à pesquisa da Febraban e da Deloitte. Não há auditoria externa desses valores nem verificação independente por esta apuração.

O investimento em nuvem cresce quase quatro vezes mais rápido que o orçamento total de TI — 30% ante 7,7%. A comparação é cálculo desta apuração, a partir dos dois números divulgados pela pesquisa, e não consta como tal no material da Febraban.

O número de profissionais capacitados em tecnologia em 2025 diverge entre fontes de informação, como registrado na seção sobre capacitação tecnológica.