Quanto as usinas moeram até setembro

As usinas do Norte e do Nordeste moeram, até o fim de setembro, um pouco menos cana do que no mesmo período do ano passado. Do início da safra 2026/27 até 30 de setembro de 2026, as usinas do Norte-Nordeste moeram 13,73 milhões de toneladas, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). No mesmo período de 2025, tinham sido 13,89 milhões. A moagem ficou 1,1% abaixo (cálculo próprio).

O Mapa não separa as usinas pelo mapa do país, e sim pelo calendário de colheita. As usinas do grupo que o relatório chama de Norte ficam em Tocantins, Pará, Piauí, Maranhão e Amazonas, que colhem de maio a abril. As do grupo Nordeste ficam em Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, que colhem de setembro a agosto. A Bahia aparece nos dois calendários.

O grupo Norte moeu 4,67 milhões de toneladas até 30 de setembro de 2026, 3,8% abaixo do mesmo período de 2025. O grupo Nordeste moeu 9,06 milhões de toneladas, 0,3% acima do mesmo período de 2025. As duas variações são cálculo próprio.

As usinas da região fizeram mais açúcar. Foram 491 mil toneladas até 30 de setembro de 2026, 3,2% acima das 476 mil toneladas do mesmo período de 2025 (cálculo próprio). O grupo Nordeste produziu 6,3% mais açúcar, e o grupo Norte ficou 4,1% abaixo do mesmo período de 2025.

O balanço da NovaBio até 15 de setembro

Em 19 de outubro, a NovaBio, associação de 35 usinas em 11 estados do Norte e do Nordeste, divulgou um balanço com dados do Mapa até 15 de setembro de 2026. Naquela data, a moagem da região somava 9,94 milhões de toneladas, 0,1% acima do mesmo período de 2025. O relatório do Mapa até 30 de setembro de 2026 já mostra a moagem abaixo da de 2025.

A associação estima em quase 60 milhões de toneladas a moagem da região na safra 2026/27. Até 15 de setembro, o grupo Norte tinha moído 52,4% do previsto para ele. O grupo Nordeste, que começou a colher em setembro, tinha moído 11,3%, segundo a NovaBio.

A NovaBio espera que as usinas destinem 50,49% da cana ao etanol na safra inteira, e o restante ao açúcar. O número é projeção da associação.

Até 15 de setembro de 2026, as usinas produziram 544 mil metros cúbicos de etanol de cana, 7,5% abaixo do mesmo período de 2025, segundo a NovaBio. O etanol anidro, misturado à gasolina, somou 231,5 mil metros cúbicos, 7,6% abaixo. O hidratado, vendido direto na bomba, somou 312,4 mil metros cúbicos, 7,5% abaixo.

A cana também chegou às usinas com menos açúcar aproveitável. A quantidade de açúcar que a usina extrai de cada tonelada, que o setor chama de ATR, ficou 5,3% abaixo do mesmo período de 2025, segundo a NovaBio.

Em 15 de setembro de 2026, os estoques de etanol de cana da região somavam 189 mil metros cúbicos, 24,73% abaixo da mesma data de 2025. Com 4 mil metros cúbicos de etanol de milho, o estoque total chegava a 193 mil metros cúbicos, segundo a associação.

⚠️ Divergência identificada: O relatório do Mapa até 15 de setembro de 2026 registra 1,22 milhão de metros cúbicos de etanol no Norte e no Nordeste, mais que o dobro dos 544 mil metros cúbicos da NovaBio. As duas fontes de informação não medem a mesma coisa: a NovaBio conta só o etanol feito de cana, e o Mapa não diz se o número dele inclui etanol de milho. Os números de etanol citados são os da NovaBio, sem comparação entre os dois.

Cota menor nos Estados Unidos

Os Estados Unidos reduziram a cota de açúcar brasileiro que entra no país com tarifa menor. Para o ano fiscal americano de 2027, que começou em 1º de outubro de 2026, o Brasil recebeu 100 mil toneladas. O número está no Federal Register, o diário oficial do governo americano, de 24 de julho de 2026.

O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) dividiu a cota em duas rodadas. Em julho, distribuiu 1,06 milhão de toneladas entre os países. Em 23 de setembro, distribuiu as 56 mil toneladas restantes. O Brasil ficou fora da segunda rodada, segundo o site Movimento Econômico.

Renato Cunha, presidente-executivo da NovaBio, diz que o corte na cota brasileira foi de 56 mil toneladas e que o total a embarcar ficou em 100 mil toneladas. As usinas do Nordeste têm prioridade para preencher a cota, segundo a associação. Em setembro, Cunha estimou em cerca de US$ 30 milhões a receita que as usinas nordestinas deixam de ter, em entrevista à Globo Rural citada pelo Movimento Econômico.

Ressalvas

O Mapa publica os números de cada safra, mas não os compara com os da anterior. As variações de moagem e de açúcar são cálculo próprio. A conta usa os relatórios do Mapa até 15 e até 30 de setembro de 2025 e de 2026.

Os números de etanol de cana, ATR e estoques vêm só da NovaBio, sem conferência independente. O mesmo vale para a parcela de 50,49% da cana destinada ao etanol e para a estimativa de quase 60 milhões de toneladas. Esses números param em 15 de setembro de 2026, e a parcela destinada ao etanol é projeção.

A revista RPAnews e o portal CompreRural reproduzem o comunicado da NovaBio. Nenhuma reportagem com apuração própria sobre o balanço foi encontrada até 20 de outubro de 2026.

O Movimento Econômico informou em 24 de setembro que o Brasil não aparece em nenhuma das duas listas do USTR. O Federal Register de 24 de julho mostra o Brasil com 100 mil toneladas na primeira. A tabela da segunda rodada está publicada como imagem e não foi lida, e a ausência do Brasil nela vem só do Movimento Econômico.

O mesmo texto do Movimento Econômico dá duas medidas para a cota anterior do Brasil, 155,9 mil toneladas e 146.611 toneladas, que não se conciliam. Por isso a cota anterior fica sem número. O corte de 56 mil toneladas é número da NovaBio, e a perda de US$ 30 milhões é estimativa de Renato Cunha, sem cálculo publicado.