As vendas voltam a subir

Os americanos voltaram a comprar mais carros elétricos, um ano depois de o governo acabar com o desconto no imposto que barateava esses veículos. De julho a setembro de 2026 foram cerca de 263 mil carros movidos só a bateria. A estimativa é da Kelley Blue Book, guia de preços de carros do grupo americano Cox Automotive.

É o segundo trimestre seguido de alta. De janeiro a março tinham sido cerca de 213 mil carros, e de abril a junho, cerca de 248 mil.

Stephanie Valdez Streaty, diretora de análise do setor na Cox Automotive, disse que o mercado está "voltando a se firmar". Para ela, a fase de ajuste ficou para trás.

⚠️ Divergência identificada: Fatia de mercado no terceiro trimestre de 2026: 6,1% no TechCrunch (14/10/2026); cerca de 6,4% na Cox Automotive (versão corrigida de 13/10/2026), onde 6,1% é o crescimento das vendas sobre o segundo trimestre. A versão anterior do relatório dava 6,5%, número reproduzido pela CBT News e pela Kelley Blue Book em 13/10/2026.

O recorde de 2025 e a queda

O desconto no imposto valia até US$ 7.500 por carro e acabou para compras feitas depois de 30 de setembro de 2025, por uma lei aprovada pelo Congresso em julho daquele ano.

Antes do prazo, os compradores correram às lojas. De julho a setembro de 2025 foram vendidos cerca de 434 mil elétricos, recorde. Depois do prazo, as vendas caíram para menos da metade.

Por isso a comparação com um ano antes ainda mostra queda: as vendas de julho a setembro de 2026 ficaram 39,5% abaixo do trimestre do recorde.

Quem vendeu mais que em 2025

Toyota, Lexus, Rivian e Subaru venderam mais elétricos de julho a setembro de 2026 do que no trimestre do recorde, em 2025.

A Toyota (TM 🇺🇸) vendeu mais de quatro vezes o que vendia. Segundo o TechCrunch, o bZ, principal elétrico da marca, ganhou no fim de 2025 bateria maior, motor mais forte e a tomada de recarga usada pela Tesla.

A Rivian (RIVN 🇺🇸), fabricante americana de picapes e utilitários elétricos, cresceu 45,7%. Parte da alta das quatro marcas veio de modelos que não existiam em 2025, como o R2, da Rivian, e o C-HR, da Toyota.

⚠️ Divergência identificada: Toyota e Lexus somadas: o comentário da Cox Automotive (12/10/2026) diz que as vendas de elétricos das duas marcas quase quintuplicaram; a tabela do relatório corrigido, de 13/10/2026, dá 17.387 carros contra 4.576 um ano antes, alta de 3,8 vezes (cálculo próprio).

Quem vendeu menos que em 2025

As vendas da Tesla (TSLA 🇺🇸) continuam 19,7% abaixo das do trimestre do recorde. Mesmo assim, a empresa tem mais da metade das vendas de elétricos do país.

As vendas de elétricos da Chevrolet, marca da GM (GM 🇺🇸), e da Ford (F 🇺🇸) continuam em um quarto ou menos do que eram no trimestre do recorde.

Gasolina cara favorece o elétrico

Valdez Streaty disse que a gasolina cara provavelmente ajuda a procura por elétricos. Quanto mais caro o combustível, mais o dono de carro a gasolina gasta para rodar, e mais vantagem tem o elétrico, carregado na tomada.

Em setembro de 2026, o galão de gasolina, de cerca de 3,8 litros, custou em média US$ 4,33 nos EUA. Foi o preço mais alto para o mês já registrado pela AAA, associação de motoristas americanos.

O que aconteceu na Alemanha

O governo da Alemanha acabou de surpresa com o bônus para a compra de elétricos em dezembro de 2023. Segundo o TechCrunch, as vendas caíram mais da metade no mês seguinte e depois se recuperaram.

Em agosto de 2026, os elétricos foram 32,4% dos carros novos registrados no país, fatia recorde, segundo o KBA, o departamento federal de trânsito alemão. Desde maio de 2026, porém, o governo alemão paga um novo incentivo à compra de elétricos.

⚠️ Divergência identificada: Data do fim do bônus alemão: novembro de 2023 no TechCrunch (14/10/2026); 17 de dezembro de 2023 na Autovista24 (05/01/2024), que cobriu o fim do bônus na época.

Ressalvas

Os números da Kelley Blue Book são estimativas e podem mudar. A Cox Automotive corrigiu o relatório em 13 de outubro de 2026. A versão anterior falava em 266.630 carros, alta de 7,7% e fatia de 6,5%.

A Cox corrigiu o total, mas não refez a participação de cada marca. A tabela dá 54,0% para a Tesla; sobre o total novo, a conta dá 54,9% (cálculo próprio).

O TechCrunch fala em três trimestres seguidos de alta. O total de outubro a dezembro de 2025 não foi localizado, e por isso o texto confirma só duas altas seguidas.

A Cox não divulgou o preço médio dos elétricos no trimestre. O TechCrunch atribui a alta também a preços mais competitivos, sem dar número.

A Alemanha voltou a pagar incentivo à compra de elétricos em maio de 2026, e o KBA não mediu o efeito dele sobre as vendas.