O recorde de 2025: 2.466 empresas em recuperação judicial

O Brasil teve 2.466 empresas em recuperação judicial em 2025. É o maior número desde que a Serasa Experian começou a medir o indicador. O total é 13% maior que as 2.184 empresas de 2024, segundo dado divulgado pela companhia em 7 de abril de 2026. A recuperação judicial permite renegociar dívidas com credores sob supervisão da Justiça, em vez de fechar as portas.

O número de pedidos formais também subiu, mas menos. Foram 977 processos protocolados em 2025, alta de 5,5% sobre os 926 de 2024. Um único processo pode envolver mais de uma empresa do mesmo grupo econômico. É por isso que o número de processos é menor que o de empresas.

Agronegócio e serviços concentraram a maior parte dos casos. O agronegócio somou 743 empresas em recuperação judicial em 2025, 30,1% do total. Serviços teve 739 empresas, 30% do total. Comércio somou 535 empresas, 21,7%, e indústria, 449, 18,2%.

Os pedidos de falência caíram no mesmo período. Foram 698 em 2025, queda de 19% sobre os 862 de 2024. O total ficou 60% abaixo do patamar de 2012, quando o país teve 1.810 falências.

"O agronegócio enfrenta riscos climáticos e biológicos, entre eles secas e choques de preço em commodities." — Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian

Em 2026, o ritmo de novos pedidos desacelera

O primeiro trimestre de 2026 fechou com 194 pedidos de recuperação judicial. É ritmo mais lento que o de 2025, segundo dado da Serasa Experian obtido com exclusividade pela Broadcast e publicado em 14 de julho de 2026.

Mês a mês, a Serasa Experian registrou 53 processos em janeiro, com 126 empresas envolvidas. Fevereiro teve 55 processos e 112 empresas. Março teve 82 processos e 184 empresas. Abril teve 60 processos e 141 empresas, queda de 27% sobre março.

Os pedidos de falência seguiram a mesma direção em abril. Foram 55 processos e 58 empresas envolvidas, queda de 31% sobre os 80 processos e 83 empresas de março.

"A melhora pontual ocorre em um contexto em que as empresas ainda convivem com juros elevados, crédito mais restrito e uma atividade econômica em desaceleração." — Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian

O número de empresas ainda em recuperação judicial continua subindo

O Monitor RGF-BizDoc contabilizou 6.382 empresas ainda em recuperação judicial em junho de 2026. É empresa que monitora dados de reestruturação corporativa no Brasil. O total é 22% maior que 12 meses antes e 6,5% maior que no fim de 2025, segundo reportagem publicada em 27 de agosto de 2026. Esse número mede quem segue no processo, e não quem entrou nele. É um dado diferente do número de novos pedidos por mês.

A RGF Associados contou um número diferente para o mesmo mês. É consultoria especializada em recuperação de empresas. Ela registrou 7.726 empresas em junho de 2026, 20,5% a mais que as 6.409 de junho de 2025, segundo levantamento publicado pela Gazeta do Povo em 21 de agosto de 2026. Nenhuma das duas fontes de informação explica a diferença entre os dois totais. Esta apuração não localizou uma metodologia pública que permita reconciliá-los.

Os nomes por trás do número: varejo, química, agro e alimentação

A rede varejista Casas Bahia segue em recuperação judicial. A empresa registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, segundo a Gazeta do Povo.

A petroquímica Braskem pediu recuperação extrajudicial em 2026. É modalidade mais rápida, negociada previamente com parte dos credores. A dívida da empresa está em torno de R$ 56 bilhões, de acordo com levantamento do Portal G37 publicado em 27 de agosto de 2026.

No agronegócio, a Agrogalaxy soma R$ 4,1 bilhões em dívidas dentro do processo de recuperação judicial, segundo a mesma Gazeta do Povo. No setor de alimentação, o Grupo Gennius acumula mais de R$ 265 milhões em dívidas, conforme o portal Brasil em Folhas, de 6 de setembro de 2026. O grupo é dono das redes Habib's e Ragazzo.

Ressalvas

O link fornecido por João, da VEJA, não pôde ser acessado por esta ferramenta nesta sessão. O domínio está bloqueado para consulta direta. A apuração usou a fonte primária que sustenta a mesma manchete publicada por outro veículo com o mesmo título: a Serasa Experian, divulgada em 7 de abril de 2026. Também usou cobertura editorial independente do mesmo período — não o texto da VEJA.

Os dois números de empresas que seguem em recuperação judicial em junho de 2026 vêm de fontes de informação distintas: Monitor RGF-BizDoc (6.382) e RGF Associados (7.726). Eles divergem sem explicação encontrada nesta apuração. Nenhum dos dois é auditado por órgão público. Os dois são produtos privados de monitoramento de dados.

Os números da Serasa Experian também são indicador proprietário da própria empresa, não dado auditado por tribunal ou órgão público. É a metodologia com a série histórica mais longa entre as fontes de informação localizadas, mas segue sendo autodeclarada pela companhia que a produz.

Os valores de dívida de Casas Bahia, Braskem, Agrogalaxy e Grupo Gennius são os declarados nas fontes de informação consultadas. Nenhum foi confirmado em balanço auditado dentro desta apuração.

A tese "dados_setoriais" foi escolhida por aproximação. O vocabulário controlado descreve dado de associação, câmara de comércio ou órgão de classe. A Serasa Experian é companhia privada de dados de crédito. A decisão foi levada a João na prévia. Essa tese está com a sincronização pendente no restante do hub — falta botão de filtro, rótulo e classe CSS — conforme pendência aberta em 12/09/2026. O artigo grava normalmente, mas o filtro por essa tag não funciona até uma sessão de ferramenta corrigir isso.