Recomendação segue neutra mesmo com espaço de alta de 64%

A Hapvida NotreDame Intermédica (HAPV3) é uma das maiores operadoras de planos de saúde do Brasil.

O BB Investimentos é o banco de investimentos do Banco do Brasil. Ele trabalha com preço-alvo de R$ 12 para a ação, até dezembro de 2027. O valor representa alta de 63,9% sobre o fechamento de R$ 7,32 registrado em 10 de setembro de 2026.

Mesmo assim, o analista William Bertan manteve a recomendação neutra para a ação. O relatório é de 11 de setembro de 2026.

"A capacidade de execução do plano anunciado e sua conversão em ganhos consistentes de margem, geração de caixa e desalavancagem permanecem como os principais fatores de risco." — William Bertan, analista do BB Investimentos

Um plano lançado após troca de gestão, ainda em teste

A Hapvida trocou o comando em dezembro de 2025. Lançou um plano estratégico com três frentes: rentabilidade, geração de caixa e desalavancagem.

O próprio plano reconheceu perda de competitividade comercial em alguns mercados, pressão de custos assistenciais e avanço da judicialização.

Entre as medidas, a empresa revisou cerca de 947 mil contratos, 11% da base, classificados como economicamente insatisfatórios ou inadimplentes. A companhia também retomou a marca Notre Dame e criou uma estrutura dedicada ao segmento de planos PPO. PPO é a modalidade que dá ao cliente mais liberdade para escolher médicos e hospitais.

O que os números do semestre mostram

No primeiro semestre de 2026, a receita líquida da Hapvida somou R$ 15,9 bilhões. O valor é 4,6% maior que no mesmo período de 2025.

A sinistralidade acumulada mede o quanto a empresa paga em atendimentos frente ao que recebe em mensalidades. No semestre, ela subiu 0,8 ponto percentual, para 73,7%.

O Ebitda ajustado — o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — caiu 31,5% no período. O lucro ajustado recuou 64,2%, para R$ 257 milhões.

A dívida líquida chegou a R$ 5,4 bilhões em junho de 2026, com alavancagem de 1,61 vez o Ebitda. A base da empresa fechou o semestre com 8,7 milhões de beneficiários.

⚠️ Divergência identificada: Há duas medidas de sinistralidade nas fontes apuradas, de períodos e cálculos diferentes. O BB Investimentos, via Investing.com Brasil, usa a acumulada do semestre: 73,7%. InfoMoney e Money Times, cobrindo o mesmo balanço, usam a sinistralidade em caixa do segundo trimestre isolado: 75,2%. São recortes distintos — não devem ser somados ou lidos como o mesmo número.

Ação caiu 27% no dia do balanço e acumula queda de 82% em 12 meses

Em 13 de agosto de 2026, dia da divulgação do balanço do segundo trimestre, a ação caiu 27% no pregão. Isoladamente, o segundo trimestre foi o pior ponto: o lucro ajustado recuou 95,8%, para R$ 12,5 milhões.

Em 12 meses até 10 de setembro de 2026, a ação acumula queda de 82,3%, para R$ 7,32. No mesmo intervalo, o papel chegou a valer R$ 40,62 e caiu até R$ 6,01.

Ressalvas

O preço-alvo de R$ 12 e o potencial de alta de 63,9% são estimativa do BB Investimentos, não garantia de resultado.

Os números do balanço são os que a própria Hapvida divulgou. Resultados trimestrais no Brasil passam por revisão limitada de auditoria, não pela auditoria completa que vale para o balanço anual.

As fontes usam duas medidas de sinistralidade, de períodos e cálculos diferentes. Uma é a acumulada do semestre, de 73,7%, do BB Investimentos. A outra é a sinistralidade em caixa do segundo trimestre isolado, de 75,2%, de InfoMoney e Money Times. Não devem ser somadas nem lidas como o mesmo número.

Este texto reflete a leitura de um único banco. Outras casas de análise podem ter recomendação e preço-alvo diferentes, não localizados nesta apuração.