O que muda
O Airbnb (ABNB 🇺🇸), plataforma de aluguel por temporada, vai impedir que donos de imóveis obriguem quem se hospeda a limpar a casa antes de sair. A regra vale para reservas feitas a partir de 20 de novembro de 2026.
Os anfitriões, nome que a empresa dá a quem anuncia o imóvel, não poderão exigir que o hóspede tire a roupa de cama. Também não poderão mandar lavar e guardar a louça, pôr roupa para lavar ou levar o lixo para fora do imóvel.
O aviso chegou aos anfitriões por e-mail, e a regra está publicada na central de ajuda do site. A notícia foi dada pelo TechCrunch, site americano de tecnologia, em 21 de outubro de 2026.
A mudança vem junto com uma revisão das regras da casa. Os anfitriões passam a escolher entre sete regras padrão: limite de hóspedes à noite, horário de silêncio, festas, animais, fumo, fotos comerciais e trancar a casa na saída.
As regras ficam mais visíveis no anúncio, na área de viagens do aplicativo e nos lembretes da reserva, segundo a ABC News. Pela Fox Business, pedido acrescentado depois da reserva, por mensagem, cartaz na casa ou de viva voz, deixa de valer.
O que o anfitrião ainda pode pedir
O anfitrião ainda pode pedir que o hóspede deixe a louça usada na pia e junte as toalhas. Também pode pedir que ele separe o lixo reciclável nas lixeiras da casa e desligue o ar-condicionado ao sair.
Simon Letouze, porta-voz do Airbnb, disse à revista WIRED que pedidos "razoáveis" seguem aceitos. Em nota à ABC News, a empresa disse que as regras da casa podiam ser "confusas, onerosas e difíceis de administrar".
O Airbnb abre exceção conforme o imóvel e o lugar. Em região de seca, o anfitrião pode pedir banho curto. Onde há ursos, pode exigir o uso de lixeira à prova de animais.
O anfitrião também perde o direito de cobrar multa própria do hóspede. Ele pode apenas avisar sobre multas do condomínio, da segurança do prédio ou da prefeitura.
Contrato à parte só vale quando a lei local ou o condomínio exigir. Valem ainda contratos para estadias longas e para serviços opcionais, como o aluguel de um carrinho de golfe.
Como a regra será fiscalizada
O Airbnb vai marcar os pedidos fora da regra e mandar e-mail ao anfitrião, com orientação e direito de recorrer, segundo a Fox Business. Se o problema continuar, o anúncio pode ganhar um aviso aos hóspedes sobre as exigências de limpeza.
Quem insistir pode perder espaço nas buscas do site. A WIRED cita ainda advertência, retirada do anúncio e exclusão da plataforma como punições possíveis.
Um anfitrião contou à WIRED que o sistema já marca em vermelho os pedidos de limpeza e impede que sejam salvos. Uma janela avisa que o hóspede não deve receber aquela tarefa.
O anfitrião ganha o direito de cancelar a reserva sem taxa nem punição quando o hóspede quebra uma regra da casa. Vale também quando o hóspede avisa, antes de chegar, que vai quebrar.
Uma queixa antiga dos hóspedes
Hóspedes reclamam há anos de pagar taxa de limpeza e, mesmo assim, receber uma lista de tarefas na saída. As queixas incluíam multas pesadas para quem não levava o lixo embora, segundo o TechCrunch.
Pelas regras do Airbnb, a taxa de limpeza paga só o serviço padrão entre um hóspede e outro, como lavar a roupa de cama e aspirar a casa. O anfitrião não pode cobrar valor extra de quem deixar de cumprir uma tarefa, mas pode citar a limpeza na avaliação do hóspede.
Em 2023, o Airbnb disse que mais de 260 mil anfitriões tinham reduzido ou eliminado a taxa de limpeza. Desde maio de 2025, a busca do site mostra no mundo todo o preço total da estadia, com as taxas e sem os impostos.
Em caso de dano, o hóspede paga um valor "razoável" pelo prejuízo. A proteção AirCover, do próprio Airbnb, reembolsa até US$ 3 milhões por certos danos causados por hóspedes. Ela cobre também limpeza extra, como cheiro de cigarro ou sujeira de animal.
A reação dos anfitriões
Anfitriões reagiram mal no fórum do Airbnb e no Reddit, segundo o TechCrunch e a WIRED. Parte deles diz que uma limpeza básica protege o imóvel e garante higiene para o próximo hóspede.
Um anfitrião com doze anos na plataforma escreveu no fórum que o hóspede ganha "total liberdade para ser preguiçoso", enquanto o risco fica com o dono do imóvel. Ele disse que pode tirar o imóvel do Airbnb. Outro comparou a empresa a "um parceiro abusivo" e anunciou a saída, segundo a WIRED.
Nos fóruns, anfitriões discutem greve na plataforma, retirada de anúncios, aumento de preço e cartas aos executivos. Alguns planejam mudar as regras de lugar no anúncio, ou usar o manual da casa com uma palavra-código como prova de leitura. O Airbnb não respondeu à WIRED se a mudança de lugar funciona.
Em agosto de 2026, o site especializado Rental Scale-Up apontou outros incômodos dos anfitriões com o Airbnb. A lista incluía a taxa de serviço única de 15,5%, descontada do anfitrião, e a troca de política de cancelamento feita pela empresa em nome deles.
Os números do Airbnb
O Airbnb tem mais de 5,5 milhões de anfitriões, segundo a carta aos acionistas do segundo trimestre de 2026. A empresa faturou US$ 3,6 bilhões de abril a junho de 2026, 17% mais que no mesmo período de 2025, e lucrou US$ 816 milhões.
A taxa de limpeza entra no total pago pelos hóspedes, que somou US$ 27,2 bilhões de abril a junho de 2026. A empresa não informa quanto desse total vem da limpeza.
O balanço de julho a setembro de 2026 sai em 5 de novembro, depois do fechamento do mercado. A regra só alcança reservas feitas a partir de 20 de novembro, e por isso esse balanço não terá como mostrar efeito dela.
Consequências
Grau A — o que a regra determina. Em reserva feita a partir de 20 de novembro de 2026, o hóspede não pode ser obrigado a fazer faxina. Ficam de fora tirar a roupa de cama, lavar a louça, pôr roupa para lavar e levar o lixo para fora. O anfitrião também não pode multá-lo. Anúncio que mantiver a exigência pode ganhar aviso aos hóspedes e perder espaço nas buscas.
Grau B — sustentado por terceiros nomeados. Anfitriões no fórum do Airbnb e no Reddit dizem que vão subir preços, tirar imóveis do ar ou deixar a plataforma, segundo o TechCrunch e a WIRED. Do outro lado, o TechCrunch diz que ainda não dá para saber quantos vão sair. O site avalia que a regra pode atrair viajantes que querem alugar uma casa sem pagar faxina e ainda limpar tudo.
Grau C — leitura própria a partir do texto. A regra conta pela data da reserva, e não pela data da estadia. Quem reservou antes de 20 de novembro para ficar depois dessa data ainda pode receber a lista antiga de tarefas.
Ressalvas
Os termos da regra vêm da central de ajuda do Airbnb, conhecida pelas descrições do TechCrunch, da ABC News, da Fox Business e da WIRED. A página do Airbnb não abriu pela ferramenta de pesquisa, e a reportagem da CNN sobre o assunto também não.
ABC News e Fox Business resumem o comunicado do Airbnb, sem ouvir anfitriões. As reações vêm de mensagens em fóruns, reunidas pelo TechCrunch e pela WIRED, e não medem quantos anfitriões pensam assim.
A reportagem da WIRED foi lida na republicação do site DNYUZ. O endereço original não foi localizado.
Os 260 mil anfitriões que cortaram a taxa de limpeza em 2023 e os 5,5 milhões de anfitriões são números do próprio Airbnb, sem conferência independente.
As consequências de grau B vêm quase todas de partes interessadas. Anfitriões falam em subir preço e sair, e a leitura favorável, de que a regra atrai hóspedes, é do TechCrunch, sem número que a sustente.