O pacote
O governo do Reino Unido vai gastar cerca de £600 milhões, ou US$ 800 milhões, para proteger o país de riscos ligados à inteligência artificial. O anúncio saiu em 24 de outubro de 2026. Parte do dinheiro vai para um laboratório que usa IA contra doenças perigosas.
Quem apresentou o pacote foi John Healey, chanceler, cargo equivalente ao de ministro da Fazenda, no governo do novo primeiro-ministro, Andy Burnham. O anúncio veio às vésperas do Orçamento do governo, segundo o site britânico Resultsense.
A biossegurança, a proteção contra vírus e bactérias perigosos, recebe £165 milhões. O novo laboratório fica com £100 milhões, e outros £65 milhões pagam defesas contra esses agentes, como vacinas e tratamentos.
O Instituto de Segurança em IA, órgão do governo que testa modelos de IA e define padrões, ganha mais £120 milhões. A cibersegurança fica com £130 milhões. Desse total, £60 milhões vão para um escudo nacional que usa IA capaz de agir sozinha na defesa de redes. Os outros £70 milhões criam um centro que procura falhas em sistemas de infraestrutura.
Um fundo de £60 milhões vai investir direto em empresas britânicas de IA, inclusive de robótica e indústria. Outros £60 milhões pagam compras de pesquisa em saúde e em testes de IA. Prefeitos regionais recebem £30 milhões para projetos locais de IA. Um instituto que estuda o efeito da IA na economia ganha £23 milhões em três anos. Uma escola de projeto de chips fica com £18 milhões, e um concurso de soluções de IA para o governo, com £15 milhões, começando pela saúde.
O laboratório
O laboratório de biossegurança será uma organização independente e sem fins lucrativos, com autonomia parecida com a do Instituto de Segurança em IA. Um comitê de cientistas, ainda sem nomes, vai orientar o trabalho.
Os primeiros projetos buscam detectar mais cedo ameaças biológicas novas e encurtar o caminho até vacinas e tratamentos. O laboratório vai trabalhar com a MHRA, a agência britânica que aprova remédios. O governo não informou onde ele vai funcionar nem quando começa.
O papel das empresas de IA
OpenAI e Anthropic, criadoras do ChatGPT e do Claude, prometem até £200 milhões, somadas, em créditos. Os créditos dão o direito de usar os modelos de IA delas sem pagar, até esse valor. A parte da Anthropic chega a £100 milhões, entre créditos, apoio técnico e acesso controlado aos modelos, segundo o site AI Polix. Com os £100 milhões do governo, o laboratório pode somar até £300 milhões.
O valor das empresas depende do uso: se o laboratório usar menos, a contribuição encolhe. O teto da Anthropic equivale a cerca de 1% do que ela gastou para operar em 2025 (cálculo próprio, na cotação do anúncio). Segundo a Reuters, esses gastos passaram de US$ 12 bilhões.
O Google DeepMind, laboratório de IA da Alphabet (GOOGL 🇺🇸), vai colaborar em pesquisa e pode dar acesso ao Gemini, seu modelo de IA. A Basecamp Research, empresa de biotecnologia de Londres, entra com modelos de IA feitos para biologia. Nenhuma das duas teve valor divulgado.
Ressalvas
O valor é orçamento anunciado, não dinheiro gasto. Não se sabe se os £600 milhões são verba nova ou remanejada de outros programas, nem em quantos anos serão gastos.
Somadas, as linhas do pacote dão £621 milhões (cálculo próprio). Os £10 milhões por ano para pesquisa sobre empregos, citados só pela Resultsense, ficam fora da soma. O anúncio fala em cerca de £600 milhões.
Os créditos das empresas são teto, e o valor real depende do uso. Só o AI Polix informa quanto cabe a cada uma.
A ferramenta de pesquisa não conseguiu abrir os comunicados do governo britânico, a Reuters, a BBC e o City AM. Os números vêm do Investing.com, que cita a Reuters, e de dois sites especializados, Resultsense e AI Polix, que reproduzem os comunicados.
Divulgação de conflito de interesse: a Anthropic, citada neste texto, é uma das empresas que contribuem para o laboratório. O Google é investidor da Anthropic: em abril de 2026, concordou em investir até US$ 40 bilhões na empresa, em dinheiro e em capacidade de computação, segundo o TechCrunch. A inteligência artificial usada na pesquisa e na redação deste resumo é feita pela Anthropic. Nenhum dado deste texto foi obtido junto à Anthropic.