O aporte

Elon Musk investiu cerca de US$ 1 bilhão na Skydance (SKYD 🇺🇸), a empresa que juntou os estúdios Paramount e Warner Bros. A notícia foi dada pelo site americano Semafor em 22 de outubro de 2026.

A Semafor ouviu pessoas a par do negócio, sem citar nomes. Musk e a Skydance não responderam ao pedido de comentário do site, segundo o Yahoo Finance. A empresa não confirmou o aporte em comunicado nem em registro na SEC, a comissão que regula o mercado de ações americano.

O dinheiro entrou na mesma época de aportes de outros investidores, segundo a Semafor. Entre eles está Laurene Powell Jobs, integrante do conselho de administração da Skydance.

A reportagem não diz quanto Musk pagou por ação, em que forma investiu nem quando o dinheiro chegou. Também não se sabe se o valor é dinheiro novo. Segundo o Yahoo Finance, ele pode fazer parte dos US$ 47 bilhões em ações vendidas a US$ 12 cada para pagar a compra da Warner.

Os laços entre Musk e Larry Ellison

Larry Ellison, cofundador da Oracle (ORCL 🇺🇸), é pai de David Ellison, presidente-executivo da Skydance. Ele já chamou Musk de "amigo próximo", segundo a revista Fortune.

Em dezembro de 2018, Larry Ellison entrou no conselho de administração da Tesla (TSLA 🇺🇸), a montadora de carros elétricos de Musk. Na época, tinha 3 milhões de ações da Tesla, que valiam mais de US$ 1 bilhão, segundo a Fortune. Ficou no conselho até 2022, segundo a Forbes.

Em maio de 2022, Larry Ellison se comprometeu a pôr US$ 1 bilhão na compra do Twitter por Musk. O compromisso consta de registro entregue à SEC, segundo a rede de TV americana CNBC.

A Forbes trata o aporte de agora como uma retribuição daquele US$ 1 bilhão de 2022. Musk também já elogiou os Ellison em público, segundo o TechCrunch.

Em 23 de setembro de 2026, a Semafor noticiou que executivos da então Paramount Skydance estudavam pedir a Musk que entrasse no grupo de investidores da compra. Larry Ellison garante pessoalmente mais de US$ 40 bilhões desse capital, segundo a Semafor.

A compra da Warner

A Paramount Skydance concluiu a compra da Warner Bros. Discovery em 6 de outubro de 2026, num negócio de cerca de US$ 110 bilhões. A empresa passou a se chamar Skydance, e a ação trocou a Nasdaq pela Bolsa de Nova York.

A Skydance reúne os estúdios Paramount Pictures e Warner Bros. Pictures e os serviços de vídeo pela internet Paramount+ e HBO Max. Na TV, é dona da rede de notícias CNN e dos canais CBS, HBO, MTV, TBS, Comedy Central e Food Network, segundo o TechCrunch e o TheDesk.

A CNN Brasil, canal brasileiro, usa a marca CNN sob licença. Em 2023, renovou por três anos o contrato de licença com a Warner, segundo o site SeñalNews. David Ellison divide a presidência executiva com Ynon Kreiz.

Para pagar a compra, a empresa vendeu US$ 47 bilhões em ações novas, a US$ 12 cada. A família Ellison pôs cerca de US$ 17 bilhões e ficou com 1,4 bilhão de ações, segundo registros na SEC citados pela Bloomberg.

A Skydance venceu uma disputa com a Netflix (NFLX 🇺🇸) pela Warner. Também enfrentou na Justiça uma ação de uma dúzia de procuradores-gerais de estados americanos, segundo a Forbes.

⚠️ Divergência identificada: A maioria das fontes de informação dá o valor da compra como cerca de US$ 110 bilhões. A Forbes fala em US$ 111 bilhões, todo em dinheiro.

A dívida e as metas

A Skydance saiu da compra com US$ 89,3 bilhões de dívida bruta, segundo a Debtwire, serviço de análise de crédito. Descontado o caixa estimado de US$ 5 bilhões, a dívida líquida fica em US$ 84,3 bilhões.

A agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota de crédito da empresa antes do fechamento do negócio, por causa do aumento da dívida. A Fitch estima a dívida total em cerca de US$ 87,5 bilhões, segundo o site TheDesk.

A empresa promete cortar mais de US$ 6 bilhões por ano em custos em até três anos, sobretudo em tecnologia, compras, marketing e imóveis. Também quer que a dívida líquida caia para três vezes o lucro operacional de um ano até o fim de 2029.

Pelas contas da Debtwire, a dívida líquida equivalia a 6,16 vezes esse lucro no fechamento. No cenário base do serviço, a relação cai para 4,39 vezes em 2029, acima da meta. A Debtwire conclui que os cortes de custo, sozinhos, não bastam para chegar lá.

O US$ 1 bilhão de Musk equivale a cerca de 1,1% da dívida bruta de US$ 89,3 bilhões (cálculo próprio). Equivale também a 2,1% dos US$ 47 bilhões em ações vendidas para pagar a compra (cálculo próprio).

⚠️ Divergência identificada: A dívida da Skydance aparece com valores diferentes. A Debtwire calcula US$ 89,3 bilhões de dívida bruta no fechamento, e a Fitch, cerca de US$ 87,5 bilhões de dívida total. O TheWrap e a Forbes citam cerca de US$ 80 bilhões, sem dizer se a conta é bruta ou líquida.

A ação abaixo de US$ 12

A ação da Skydance era negociada perto de US$ 8 em 22 de outubro de 2026, segundo a Forbes. O preço fica cerca de 33% abaixo dos US$ 12 pagos pelos investidores que financiaram a compra da Warner (cálculo próprio). No começo de 2026, a ação valia perto de US$ 13.

Em 13 de outubro de 2026, os acionistas da antiga Paramount Skydance receberam 470,7 milhões de bônus de subscrição, papéis que dão direito a comprar ação nova por US$ 12. A família Ellison e o fundo RedBird ficaram de fora da distribuição, segundo registro na SEC.

Ressalvas

O aporte de Musk tem uma só origem, a reportagem da Semafor, com fontes de informação não identificadas. Os demais veículos de imprensa consultados repetem a Semafor, e nenhum confirmou o valor por conta própria.

Musk e a Skydance não confirmaram o aporte. Não se sabe o preço por ação, a fatia de Musk na empresa, a data do pagamento nem se o dinheiro é novo.

A participação de Laurene Powell Jobs também vem só da Semafor, sem valor informado. A garantia de mais de US$ 40 bilhões dada por Larry Ellison foi noticiada pela Semafor e não foi conferida em documento da empresa.

Dívida e relação entre dívida e lucro são estimativas de terceiros, a Debtwire e a Fitch. As metas de corte de custos e de redução da dívida são da própria empresa e não passaram por auditoria.

As reportagens do Deadline e da Hollywood Reporter sobre o aporte não abriram para leitura. A reportagem da Bloomberg não foi lida, e o texto original da Semafor não foi localizado.