O resultado
O Santander Brasil (SANB11 🇧🇷) ganhou 28% menos de julho a setembro de 2026 do que no mesmo período de 2025. Mais clientes de baixa renda e produtores rurais deixaram de pagar o que deviam, e o banco reservou mais dinheiro para cobrir essas perdas.
O lucro recorrente, a conta do banco que exclui ganhos e perdas que não se repetem, somou R$ 2,885 bilhões no terceiro trimestre de 2026. No terceiro trimestre de 2025, tinha somado R$ 4,009 bilhões. Contra o segundo trimestre de 2026, o lucro caiu 4,3%.
O lucro contábil, calculado pelas regras oficiais de balanço, ficou em R$ 2,833 bilhões, 28,2% abaixo do terceiro trimestre de 2025. De janeiro a setembro de 2026, o banco lucrou R$ 9,7 bilhões, 16% menos que nos mesmos meses de 2025.
O lucro do trimestre equivaleu a 11,9% ao ano do capital dos acionistas, a menor rentabilidade desde o segundo trimestre de 2023. Essa taxa era de 17,5% no terceiro trimestre de 2025 e de 12,5% no segundo trimestre de 2026.
Os calotes
Os empréstimos com mais de 90 dias de atraso chegaram a 3,4% da carteira em setembro de 2026, contra 2,8% em setembro de 2025. Entre as pessoas físicas, a taxa subiu de 4,2% para 5,5% no mesmo intervalo.
O banco atribui a piora entre pessoas físicas ao calote de clientes de baixa renda e do agronegócio. Entre as empresas, o atraso acima de 90 dias ficou em 1,5% em setembro, contra 1,6% em junho de 2026. Nas pequenas e médias empresas, caiu de 5,3% para 5,0% no mesmo intervalo.
A carteira de pessoas físicas encolheu 0,9% em um ano, para R$ 261,8 bilhões em setembro de 2026. O consignado, o empréstimo com desconto direto no salário ou na aposentadoria, caiu 13,6%, para R$ 54,6 bilhões. O crédito pessoal recuou 11,6%, para R$ 33,2 bilhões.
Na mesma comparação, o financiamento imobiliário cresceu 10,3% e o cartão de crédito, 9,8%.
A reserva para calotes
A despesa com provisões, o dinheiro que o banco separa para cobrir empréstimos que não devem voltar, somou R$ 7,46 bilhões no terceiro trimestre de 2026. O valor já desconta R$ 752 milhões recuperados de dívidas antigas, e ficou 14,4% acima do terceiro trimestre de 2025.
Em um ano, a provisão cresceu cerca de R$ 939 milhões (cálculo próprio). A margem financeira, a diferença entre os juros que o banco cobra e os que paga, caiu cerca de R$ 243 milhões (cálculo próprio). As comissões e tarifas renderam cerca de R$ 133 milhões a menos (cálculo próprio).
A provisão consumiu 36,6% da receita total do banco no trimestre, contra 31,4% no terceiro trimestre de 2025. Contra o segundo trimestre de 2026, ela ficou 2,5% menor.
Receita, custos e agências
A receita total somou R$ 20,375 bilhões, 1,9% abaixo do terceiro trimestre de 2025. O ganho com juros nas operações com clientes recuou 4,2% em um ano, para R$ 15,853 bilhões.
Os gastos gerais do banco somaram R$ 6,383 bilhões no trimestre, 0,6% menos que um ano antes. O Santander Brasil terminou setembro de 2026 com 45.782 funcionários, 5.965 a menos que em setembro de 2025. As agências passaram de 961 para 827 no mesmo intervalo.
A carteira de crédito total, que inclui títulos de empresas e garantias dadas pelo banco, somou R$ 721,3 bilhões em setembro de 2026. O valor ficou 4,7% acima de setembro de 2025. Os empréstimos a grandes empresas cresceram 7,8% em um ano, para R$ 265,7 bilhões.
Abaixo do esperado
Analistas consultados pela Bloomberg esperavam lucro de R$ 3,161 bilhões no trimestre, segundo o Money Times e o Seu Dinheiro. O resultado ficou 8,7% abaixo dessa previsão (cálculo próprio). Para a rentabilidade, os analistas esperavam 12,7% ao ano.
Na divulgação do segundo trimestre de 2026, o diretor financeiro, Carlos Muñiz, indicou que a retomada da rentabilidade poderia ficar para o início de 2027, segundo o Money Times.
No comunicado do terceiro trimestre, citado pelo Times Brasil, o banco diz manter "uma gestão disciplinada do balanço e dos riscos em um cenário de crédito que permanece desafiador".
Ressalvas
A publicação de origem, no Investing.com Brasil, não abriu pela ferramenta de leitura, que teve o acesso recusado duas vezes. A página de resultados do site de relações com investidores do banco também não abriu. Os números vêm da Exame e do Times Brasil, com Estadão Conteúdo, que reproduzem o comunicado do banco.
O próprio banco calcula o lucro recorrente, fora das regras oficiais de balanço. O lucro contábil, que segue essas regras, caiu 28,2% em um ano e confirma a queda.
Desde o primeiro trimestre de 2026, o banco calcula o atraso sobre a carteira que inclui títulos e garantias. Os números de 2025 usados na comparação foram ajustados pelo próprio banco.
O banco atribui a alta do atraso entre pessoas físicas à baixa renda e ao agronegócio. O peso de cada um dos dois grupos não aparece na Exame nem no Times Brasil.
As variações em reais de provisão, margem e comissões são valores antes do imposto de renda, e o lucro é calculado depois dele. O imposto do trimestre não aparece na Exame nem no Times Brasil.
A previsão de lucro dos analistas é atribuída à Bloomberg pelo Money Times e pelo Seu Dinheiro, que publicaram textos da mesma autora. As duas reportagens contam aqui como uma fonte de informação só. A previsão de 12,7% para a rentabilidade não tem fonte nomeada no Money Times.
Nenhum executivo aparece citado sobre o terceiro trimestre nas reportagens lidas. A sigla SANB11 vem da cobertura e não foi conferida no site de relações com investidores, que não abriu.