O negócio

A Embraer (EMBJ3 🇧🇷) vai juntar sua empresa de proteção contra ataques de hackers com a de uma gestora de investimentos. A nova empresa terá receita anual acima de R$ 700 milhões, segundo as duas partes. A Embraer deixa de ser dona e passa a ser sócia, sem o controle.

O acordo foi anunciado em 3 de setembro de 2026. Ele une a Tempest, de Recife, que pertence à Embraer, e a Vision, de Vitória, controlada pela gestora SPX Capital. As duas vendem serviços de cibersegurança a empresas, como o monitoramento de redes 24 horas por dia.

O negócio é feito principalmente por troca de ações. A SPX fica como maior acionista e controladora do grupo. A Embraer passa a ser acionista relevante e continua como cliente, segundo a Exame.

A conclusão ainda depende de aprovações de órgãos reguladores, entre elas a do Cade, o órgão federal que julga fusões. O nome da nova empresa será escolhido durante a integração.

O tamanho do grupo

Além da receita acima de R$ 700 milhões por ano, o grupo terá cerca de 900 funcionários e mais de 600 clientes empresariais. Os três números foram divulgados pelas empresas e não vêm de balanço auditado.

Em janeiro de 2026, a Vision previa faturar R$ 480 milhões no ano, segundo o Brazil Journal. A receita da Tempest não foi divulgada.

As empresas também não divulgaram quanto cada sócio terá do grupo, quantas ações cada lado recebe, nem quanto a nova empresa vale.

João Lins, presidente da Tempest, disse ao NeoFeed que as duas empresas quase não têm clientes em comum: "As nossas carteiras de clientes não têm sobreposição, praticamente zero". Entre os planos citados pela Exame está oferecer os serviços de uma empresa aos clientes da outra.

A Embraer e a Tempest

A Tempest tem 26 anos e nasceu de um grupo de pesquisa acadêmica em Recife. A Embraer entrou no capital da empresa por meio do FIP Aeroespacial, fundo de investimento que tinha também o BNDES como sócio.

Os outros sócios do fundo eram a Finep, agência federal que financia inovação, e a Desenvolve SP, agência de crédito do governo paulista. Em agosto de 2020, a Embraer comprou mais ações e passou a controlar a Tempest, com aprovação do Cade.

Em 2023, a Embraer ficou com 100% da empresa, segundo o NeoFeed. Os valores pagos não foram divulgados.

⚠️ Divergência identificada: Ano de entrada da Embraer na Tempest: participação indireta desde 2016, pelo FIP Aeroespacial, segundo a Suno (05/08/2020); por volta de 2015, por meio de um fundo de investimento, segundo o NeoFeed (03/09/2026).

A Vision e a SPX

A Vision nasceu em janeiro de 2026, separada da ISH Tecnologia, empresa de cibersegurança fundada em Vitória em 1996. A ISH ficou com os clientes do setor público, e a Vision, com os do setor privado.

No mesmo mês, a SPX assumiu o controle da Vision, com mais de 50% do capital, segundo o Brazil Journal. A gestora prometeu aportar até R$ 400 milhões na empresa, em parcelas.

Segundo o Brazil Journal, os primeiros R$ 200 milhões iriam para o caixa da Vision. O restante entraria conforme surgissem empresas para comprar num mercado ainda dividido entre muitas empresas pequenas.

A aposta na inteligência artificial

A Tempest reúne informações sobre ataques de hackers. Segundo a Exame, a ideia é usar esses dados para alimentar modelos de inteligência artificial e automatizar respostas na plataforma da Vision.

As empresas chamam a proposta de segurança preemptiva, que busca barrar a ameaça antes que ela vire um incidente. Segundo o Baguete, a fusão "potencializa a arquitetura de IA da Vision ao integrar novos dados de inteligência".

Nenhuma das duas divulgou número sobre o uso de inteligência artificial, como ataques barrados ou tempo de resposta. A Exame lembra que as mesmas ferramentas também ampliam a capacidade dos invasores.

Quem comanda e para onde vai

André Fleury, presidente da Vision, comandará o grupo. João Lins passará a vice-presidente de Tecnologia e Inovação. As duas marcas serão mantidas no início, com operações em Vitória, Recife e São Paulo.

Segundo a Exame, o grupo quer disputar clientes com as multinacionais do setor no Brasil e crescer fora do país. "Estamos prontos para competir nesse mercado nacional, mas também para expandir para mercados globais", disse Fleury.

O NeoFeed cita a América Latina e a América do Norte como os próximos mercados do grupo.

Os bancos como clientes

Bancos de médio porte estão entre os clientes da Vision, segundo o Brazil Journal. O setor bancário planeja investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026, 8% acima do orçamento de R$ 46,8 bilhões de 2025.

Os números são de pesquisa da Febraban, a federação dos bancos, feita com a consultoria Deloitte. Todos os bancos pesquisados classificam a cibersegurança como de relevância alta ou média, mas a pesquisa não informa quanto do orçamento vai para a área.

Ressalvas

Receita, número de funcionários e de clientes foram divulgados pelas empresas, que não têm ação em bolsa. Nenhum desses números vem de balanço auditado.

A previsão de R$ 480 milhões para a Vision é de janeiro de 2026. Ela não pode ser comparada ao total do grupo, porque as empresas não disseram a que período se refere a receita de R$ 700 milhões.

Não foram divulgados a participação de cada sócio, a relação de troca de ações e o valor da nova empresa. Nas buscas feitas até 15 de outubro de 2026, não foram localizados comunicado da Embraer à CVM sobre o negócio nem decisão do Cade.

O papel da inteligência artificial aparece só em declarações das empresas e na leitura da Exame, sem número que o meça. A busca de imagens do DVIDS, acervo de fotos do Departamento de Defesa dos EUA, recusou a ferramenta de leitura.