A Amazon bloqueou o Muse na noite de 20 de setembro

A Amazon impediu o Muse, agente de inteligência artificial da Meta, de fazer compras no site da varejista. O bloqueio começou na noite de domingo, 20 de setembro de 2026, segundo o site americano GeekWire.

Quem tenta comprar pelo Muse vê um aviso na tela. Ele diz que o acesso contínuo de um agente de IA não autorizado viola as Condições de Uso da Amazon, aceitas pelos clientes.

A Meta lançou o Muse em 8 de setembro, nos Estados Unidos. O programa faz compras e outras tarefas em nome do usuário. Ele rende mais quanto mais acesso recebe a e-mails, mensagens e calendário, segundo o Wall Street Journal.

O aplicativo lidera a loja da Apple nos Estados Unidos desde 18 de setembro, informou o jornal. Foram mais de 2,5 milhões de downloads desde o lançamento, segundo a Sensor Tower, empresa de dados de mercado.

A Amazon diz que o Muse não se identifica, e a Meta diz que ele não vê senhas

A Amazon afirma que pediu antes à Meta que deixasse a loja fora do Muse. Segundo a varejista, a Meta nunca obteve permissão para o agente entrar no site.

A Amazon acusa o Muse de navegar sem se apresentar como robô e de parecer guardar as senhas dos clientes. Assim, diz a empresa, ele chega à página da conta e ao histórico de pedidos sem que a loja saiba.

A Meta não quis comentar o bloqueio, segundo o Wall Street Journal. Antes dele, a empresa já tinha dito que o Muse não enxerga senhas nem meios de pagamento.

Pela versão da Meta, as senhas que o usuário compartilha ficam num cofre digital. O agente as usa sem vê-las, inclusive as que a pessoa digita no navegador.

“Aplicativos de terceiros que oferecem fazer compras em nome dos clientes em outras empresas devem operar de forma aberta e respeitar as decisões dos provedores de serviços sobre participar ou não.” — porta-voz da Amazon, ao Wall Street Journal

O agente de compras da própria Amazon já recebeu a queixa que ela faz à Meta

A Amazon tem um agente de compras próprio, o Buy for Me. Ele procura produtos no site de outras marcas e compra por lá, sem o cliente sair do aplicativo da Amazon.

Segundo a Amazon, o Buy for Me se identifica ao navegar e deixa as marcas pedirem para sair.

Em janeiro de 2026, pequenas marcas americanas disseram ter achado seus produtos no aplicativo da Amazon sem autorização, segundo o site Modern Retail. A dona da marca infantil Mochi Kids viu o catálogo inteiro, de 4.000 produtos, listado ali.

Na época, a Amazon chamou o programa de teste e disse que as marcas podiam sair mandando um e-mail. O site Tech Times apontou em 23 de setembro que a Amazon exige da Meta a permissão prévia que não pediu às marcas.

Na Justiça, a Amazon perdeu a primeira rodada contra a Perplexity

Em 9 de março de 2026, a Amazon ganhou na Justiça federal americana uma decisão provisória contra a Perplexity, empresa de busca com IA. A Amazon acusa o Comet, navegador da Perplexity que faz compras sozinho, de invadir as contas dos clientes.

Em 4 de agosto, o tribunal federal de apelação da Nona Região, na costa oeste, anulou a decisão. Os juízes entenderam que quem entra na conta é o usuário, com a ajuda do agente, e não a empresa que fez o agente.

Em 10 de setembro, o tribunal negou o pedido da Amazon para rever o caso, segundo o GeekWire. A decisão deixou aberta outra via: a Amazon ainda pode alegar quebra dos termos de uso.

É essa a via que a Amazon usa contra o Muse, segundo o GeekWire. O aviso aos usuários cita as Condições de Uso, e não a lei contra invasão de computadores.

De um lado, US$ 68,6 bilhões em anúncios; do outro, a aposta da Meta no Muse

A Amazon faturou US$ 68,6 bilhões com publicidade em 2025, segundo o balanço anual da empresa. O valor equivale a cerca de 9,6% da receita de US$ 716,9 bilhões, cálculo deste artigo.

A revista Forbes liga o bloqueio a essa receita. Um agente que compra pelo cliente pode passar direto pelas páginas patrocinadas, onde as marcas pagam para aparecer.

Do lado da Meta, as ações subiram 11% em 21 de setembro, segundo o Wall Street Journal. O Muse liderava a loja da Apple havia três dias. O banco Truist estima que o Muse pode render à Meta US$ 28,5 bilhões a mais em receita até 2030.

O analista Youssef Squali, do Truist, duvida que a vantagem dure. Ele disse ao jornal que o Google e a OpenAI costumam copiar em poucas semanas o que surge no setor.

Numa pesquisa do banco Oppenheimer com consumidores americanos, só 8% confiariam suas senhas à Meta. Ao Google, 30% se sentiriam à vontade para entregá-las.

⚠️ Divergência identificada: A Forbes fala em cerca de US$ 68 bilhões de anúncios em páginas patrocinadas, perto de 10% da receita. O balanço da Amazon soma US$ 68,6 bilhões em serviços de publicidade, linha que inclui anúncios fora da loja, como os do Prime Video.

Ressalvas

Divulgação de conflito de interesse. A Amazon, uma das partes desta disputa, é investidora da Anthropic. Até abril de 2026, ela havia aplicado US$ 13 bilhões na empresa, segundo o TechCrunch. A Anthropic fabrica a inteligência artificial usada na pesquisa e na redação deste resumo. Nenhum dado deste texto foi obtido junto à Anthropic.

Versões sem conferência independente. As acusações da Amazon contra o Muse e a defesa da Meta sobre as senhas são declarações das empresas. Nenhuma medição técnica independente foi localizada.

Números de terceiros. Os 2,5 milhões de downloads são estimativa da Sensor Tower, não número da Meta, que não divulga quantas pessoas usam o Muse. A projeção do Truist e a pesquisa da Oppenheimer foram lidas no Wall Street Journal, não nos relatórios originais.

Fora do texto. O site TechSpot afirma que a Amazon trabalha para bloquear também agentes do Google e da OpenAI. A informação não foi confirmada em outra fonte de informação e ficou de fora.

Não lido. A reportagem da Bloomberg de 21 de setembro sobre o bloqueio não abriu, porque o site recusa a ferramenta de leitura. Não houve tentativa por outro meio.

Este resumo é informativo e não constitui recomendação de compra ou venda.