Itaú BBA calcula que a Petrobras distribua em dividendos cerca de 15% do preço da ação em 2027
O Itaú BBA, banco de investimento do Itaú, calcula que a Petrobras vai distribuir aos acionistas, em 2027, cerca de 15% do preço da ação em dividendos. O relatório saiu em 22 de setembro de 2026. Nele, o banco elevou de R$ 63 para R$ 64 o preço que espera para a ação no fim de 2027. Manteve a recomendação equivalente a compra e aponta a Petrobras como a ação preferida do setor.
Para as petroleiras internacionais comparáveis, o banco estima dividendos médios de 6,5% do preço da ação. O Money Times informou que o preço esperado de R$ 64 fica 33% acima do fechamento de 21 de setembro. Por esse dado, a ação valia cerca de R$ 48 naquele dia (cálculo deste artigo). Com 15%, o dividendo seria de pouco mais de R$ 7 por ação no ano (também cálculo deste artigo).
O banco espera que a produção suba de 2,7 milhões de barris de petróleo por dia em 2026 para 2,9 milhões em 2027 e 3,1 milhões em 2028. Prevê investimentos de US$ 22,7 bilhões em 2027 e de US$ 22 bilhões em 2028. Assinam o relatório Eric de Mello, Monique Martins Greco Natal, Eduardo Mendes e Ignacio Sabelle.
UBS BB estima dividendos de 13% a 14% do preço da ação em 2027
O UBS BB, banco de investimento do suíço UBS com o Banco do Brasil, fez uma conta parecida em 23 de setembro, segundo a Reuters. Elevou de R$ 60 para R$ 62 o preço que espera para a ação da Petrobras e manteve a recomendação de compra.
O banco estima que a Petrobras distribua em dividendos de 10% a 11% do preço da ação em 2026, e de 13% a 14% em 2027. A equipe, liderada por Tasso Vasconcellos, lembra que a Petrobras vende ao exterior mais petróleo do que compra e por isso se beneficia do petróleo caro. Os analistas citam ainda os programas de subvenção do governo como apoio ao refino.
A conta do Itaú BBA depende do petróleo a US$ 75, do lucro alto com diesel e de R$ 19 bilhões da subvenção
O Itaú BBA trabalha com o Brent, referência internacional de preço do petróleo, a US$ 80 o barril em 2026 e a US$ 75 em 2027.
O banco conta também com o lucro alto que a Petrobras tem hoje ao transformar petróleo em diesel. Pela projeção, cada barril de diesel rende US$ 75 acima do custo do petróleo no quarto trimestre de 2026. Essa diferença cai para US$ 50 em 2027, US$ 35 em 2028 e US$ 25 em 2029. Segundo os analistas, esse ganho no refino, hoje em nível recorde, pode proteger o caixa da Petrobras se o Brent cair.
Cerca de R$ 19 bilhões dos dividendos projetados viriam da subvenção federal ao diesel, segundo o Investing.com. O valor se acumula no quarto trimestre de 2026, a R$ 2,12 por litro, e só entra no caixa da Petrobras em 2027, pelas contas do banco. É mais do que os R$ 17,4 bilhões em dividendos que a empresa aprovou no segundo trimestre de 2026 (comparação deste artigo).
A subvenção ao diesel é renovada a cada 30 dias e pode ser interrompida
O governo federal paga a produtores e importadores de diesel um valor fixo por litro vendido. Em troca, as empresas são obrigadas a baixar o preço de venda no mesmo valor. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) confere os pedidos todo mês e só então libera o pagamento. Por isso a Petrobras vende o diesel mais barato agora e recebe a diferença depois.
A primeira parcela, de R$ 1,12 por litro, foi criada pela Medida Provisória 1.363, de 1º de junho de 2026. No início de setembro, o governo acrescentou R$ 1, e o total chegou a R$ 2,12. A Medida Provisória 1.391, de 14 de setembro, permite ao Ministério da Fazenda mudar ou suspender o valor a cada 30 dias.
O orçamento de 2026 reserva R$ 27,4 bilhões para subsídios a combustíveis, segundo a Agência Senado. Em 24 de setembro, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que a tendência é manter os R$ 2,12 por mais 30 dias. As medidas adicionais custam cerca de R$ 7 bilhões por mês à União, segundo a Agência Brasil.
Petrobras lucrou R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre
A Petrobras lucrou R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 97% sobre o mesmo período de 2025. A empresa aprovou R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, outra forma de remunerar o acionista. O resultado foi divulgado em 6 de agosto.
A produção de petróleo ficou em 2,7 milhões de barris por dia, 15% acima do segundo trimestre de 2025. As refinarias operaram a 101% da capacidade, recorde trimestral. A dívida bruta terminou em US$ 70,8 bilhões, abaixo do teto de US$ 75 bilhões fixado pela empresa.
Segundo o Itaú BBA, o próximo marco é o Plano Estratégico 2027-2031, que a Petrobras deve apresentar em novembro.
Ressalvas
Os dividendos de cerca de 15% (Itaú BBA) e de 13% a 14% (UBS BB) do preço da ação são projeção dos bancos, não dado divulgado pela Petrobras. Os relatórios originais não foram lidos. Os números do Itaú BBA chegam pelo Investing.com, pelo Money Times e pelo NeoFeed, que reproduzem o mesmo relatório e contam como uma única fonte de informação. Os do UBS BB chegam pela Reuters, republicada no Investing.com.
A cotação de cerca de R$ 48 e o dividendo de pouco mais de R$ 7 por ação são cálculo deste artigo. O cálculo supõe que os 15% se referem à cotação de 21 de setembro, base que as fontes de informação não informam. O NeoFeed fala em distância de cerca de 35% até o preço esperado, e não de 33%, o que daria cotação um pouco menor.
Os R$ 19 bilhões dependem de uma política pública que o Ministério da Fazenda pode suspender a cada 30 dias. As fontes de informação não dizem quanto sobraria dos dividendos projetados sem a subvenção. Em abril de 2026, o Seu Dinheiro já registrava R$ 64 como preço esperado pelo Itaú BBA para a ação. A reportagem de setembro fala em alta de R$ 63 para R$ 64, e as fontes consultadas não explicam a diferença.
Os dados do segundo trimestre são os divulgados pela Petrobras em comunicado oficial. Este artigo é informativo. Não constitui recomendação de compra ou venda, nem orientação de investimento personalizada.