A Petrobras pagou R$ 7,7 bilhões, 2,5 vezes o Bradesco
A Petrobras depositou R$ 7,675 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio no 2º trimestre de 2026. O número é de levantamento da consultoria Elos Ayta, publicado pelo Money Times em 4 de setembro.
O valor é 2,5 vezes o do Bradesco, que aparece em primeiro na lista das dez empresas que mais pagaram no trimestre. A Petrobras ficou fora da lista por causa do tamanho e entra no estudo como referência, segundo o Money Times.
O calendário da própria Petrobras confirma pagamentos no trimestre. A estatal pagou em 20 de maio e 22 de junho os R$ 8,1 bilhões aprovados sobre o lucro do fim de 2025.
Bancos e seguradora ocupam quatro das cinco primeiras posições
Bradesco, com R$ 3,104 bilhões, e Santander Brasil, com R$ 1,738 bilhão, abrem a lista da Elos Ayta. A operadora de celular TIM vem em terceiro, com R$ 1,153 bilhão.
Depois vêm o Itaú Unibanco, com R$ 1,061 bilhão, e a Caixa Seguridade, seguradora ligada à Caixa, com R$ 990 milhões.
Completam a lista a B3, dona da bolsa, com R$ 587 milhões, e a Localiza, de aluguel de carros, com R$ 572 milhões. Em seguida estão a Allos, de shopping centers, com R$ 454 milhões, e a Klabin, de papel e embalagens, com R$ 422 milhões. A Gerdau, de aço, fecha a lista com R$ 363 milhões.
As dez somaram R$ 10,444 bilhões no trimestre. Petrobras, Bradesco e Santander, juntos, pagaram R$ 12,5 bilhões, pelas contas deste artigo.
Os pagamentos caem 70% desde o fim de 2025
As dez empresas da lista pagaram R$ 35,2 bilhões no 4º trimestre de 2025. No 2º trimestre de 2026, pagaram R$ 10,4 bilhões, cerca de 70% menos.
A Elos Ayta atribui o pico do fim de 2025 à antecipação de pagamentos antes da nova tributação de dividendos.
A Lei 15.270, de novembro de 2025, criou a retenção de 10% de imposto de renda sobre dividendos. A regra vale desde janeiro de 2026 para quem recebe mais de R$ 50 mil por mês de uma mesma empresa, segundo a Receita Federal.
Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, quando as dez pagaram R$ 8,5 bilhões, o valor subiu 23%, pelas contas deste artigo. A gestora Janus Henderson, que mede em dólar, registrou alta de 12,8% nos dividendos pagos por empresas brasileiras no mesmo período.
O estudo deixa de fora quem não pagou em todos os trimestres
A Elos Ayta só listou empresas que pagaram mais de R$ 100 milhões em cada um dos cinco trimestres desde junho de 2025.
O corte privilegia quem paga com regularidade. Empresas que pagam uma ou duas vezes por ano ficam fora, mesmo com valores altos.
A lista ficou mais concentrada. Sem contar a Petrobras, as dez responderam por 22,4% do que as empresas pesquisadas pagaram no 2º trimestre de 2025. No 2º trimestre de 2026, a fatia subiu para 32,2%.
Somadas à Petrobras, as dez responderam por 45,2% de todos os pagamentos do trimestre, a maior fatia da série, segundo o estudo.
Ressalvas
Os valores por empresa são da Elos Ayta e não foram refeitos. O estudo não informa quantas empresas pesquisou.
O número do Bradesco diverge do calendário divulgado pelo banco, como registrado acima. Os calendários das outras oito empresas da lista não foram conferidos um a um.
As somas de R$ 12,5 bilhões, a parcela mensal do Bradesco e a alta de 23% sobre 2025 são cálculo deste artigo.
A Janus Henderson usa outra amostra e outra moeda, e publica lista própria de pagadoras. Os números das duas não são comparáveis linha a linha.
Este texto não recomenda compra ou venda de nenhuma das ações citadas.