A Island captou US$ 400 milhões a uma avaliação de US$ 6,4 bilhões
A Island, startup americana de segurança digital financiada por fundos de capital de risco, anunciou em 24 de setembro de 2026 que captou US$ 400 milhões com investidores privados. A rodada avalia a empresa em US$ 6,4 bilhões.
O fundo Evolution Equity Partners liderou o aporte. Participaram Sequoia Capital, Coatue, Insight Partners, o braço de investimento em empresas fechadas do J.P. Morgan e outros seis fundos. Dmitri Alperovitch, cofundador da empresa de segurança CrowdStrike, investiu com dinheiro próprio.
A Island tem sede em Dallas, no Texas, e centro de desenvolvimento em Tel Aviv, em Israel. Mike Fey, ex-presidente da fabricante de antivírus Symantec, fundou a empresa em 2020 com o israelense Dan Amiga, hoje diretor de tecnologia.
O valor mais que dobrou desde 2024
Em 2024, uma rodada de US$ 175 milhões avaliou a Island em cerca de US$ 3 bilhões. Em março de 2025, outra, de US$ 250 milhões e liderada pela Coatue, elevou a avaliação para US$ 4,8 bilhões.
A rodada de agora soma US$ 1,6 bilhão ao valor de março de 2025. Sobre 2024, a avaliação cresceu cerca de 2,1 vezes, pela conta deste artigo.
Os números das rodadas anteriores variam entre as fontes de informação. O site americano de tecnologia TechCrunch registrou US$ 2,9 bilhões para 2024 e US$ 4,85 bilhões para 2025. O CTech, site de tecnologia do jornal israelense Calcalist, registrou US$ 3 bilhões e US$ 4,8 bilhões.
Com o aporte novo, a Island soma cerca de US$ 1,13 bilhão captado desde a fundação, pela conta deste artigo. O TechCrunch contava US$ 730 milhões até março de 2025.
A receita declarada é de cerca de US$ 200 milhões por ano
A Island não abriu capital e não publica balanço. Segundo o CTech, a empresa informou receita anual de cerca de US$ 200 milhões em setembro de 2026, com alta de cerca de 100% ao ano.
O comunicado da rodada diz que a receita recorrente, a que vem de contratos de assinatura, dobrou em todos os anos fiscais desde o lançamento do produto, em 2022.
Pela conta deste artigo, a avaliação de US$ 6,4 bilhões equivale a cerca de 32 vezes a receita declarada. O múltiplo depende inteiramente do dado de receita, que só a empresa informa.
A Island diz que oito dos dez maiores bancos do mundo usam o navegador dela. Em março de 2025, a empresa tinha 450 clientes, segundo o TechCrunch.
O quadro chegou a mil funcionários, contra pouco mais de 500 em 2025, segundo a empresa. O site de tecnologia SiliconANGLE, citando a rede de TV americana CNBC, informa plano de contratar mais 500 pessoas até meados de 2027.
Do navegador para a vigilância de agentes de IA
A Island começou com um navegador de internet feito para empresas, construído sobre o código aberto do Google Chrome. Ele bloqueia páginas falsas e programas maliciosos, e aplica regras de acesso mesmo quando o funcionário usa um computador sem proteção.
Agora a empresa também oferece ferramentas para vigiar agentes de IA, os programas que executam tarefas sozinhos em nome do funcionário. A plataforma lista os agentes que cada pessoa usa, e os arquivos, extensões e ferramentas a que eles têm acesso.
O sistema filtra comandos maliciosos enviados aos agentes e corta permissões amplas demais. Também registra quanto cada empresa gasta com o uso de IA.
Segundo a Island, o controle alcança o navegador, os computadores, as redes e a proteção de dados. "Assim como os humanos, os agentes precisam do contexto, do acesso, dos limites e da responsabilização certos", disse Fey no comunicado.
Ressalvas
A reportagem da CNBC que deu origem a este artigo não pôde ser aberta, porque o site recusou o acesso à ferramenta de leitura. Nenhum fato do texto vem dela diretamente. O plano de contratação chega por meio do SiliconANGLE.
A receita, o ritmo de crescimento, os clientes e os funcionários são números informados pela Island. A empresa tem capital fechado, e nenhum desses números passou por auditoria publicada.
Toda a cobertura consultada sobre a rodada de 2026 parte do comunicado da empresa. Os veículos não trazem apuração própria sobre os termos do aporte.
Os investidores de uma rodada privada fixam a avaliação ao negociar uma fatia da empresa. Esse preço não se compara ao valor de mercado de uma empresa listada em bolsa.
O site britânico Verdict dá 2022 como ano de fundação, que outras fontes de informação apontam como ano de lançamento do produto. O site israelense Israel Defense registra 2020.
O múltiplo de 32 vezes a receita, a alta de 2,1 vezes e a soma de US$ 1,13 bilhão captado são cálculo deste artigo.
Este texto não recomenda compra ou venda de participação na empresa.