A correção e o motivo técnico
O Cecafé — Conselho dos Exportadores de Café do Brasil — revisou para cima o dado parcial de exportação de café de agosto de 2026. A entidade reúne as exportadoras do produto. Ela mede o volume embarcado a partir dos certificados de exportação.
Em 24 de agosto, o número informado era de 1,71 milhão de sacas de 60 quilos. A saca é a unidade padrão do comércio internacional de café. Em 26 de agosto, o Cecafé divulgou o valor corrigido: 2,94 milhões de sacas. A alta foi de 1,23 milhão sobre o dado anterior — quase 72% a mais, em cálculo próprio a partir dos dois números divulgados.
Uma falha nos sistemas que processam os certificados de exportação deixou vários certificados de fora da contagem. Os certificados eram do porto de Santos, o principal porto de exportação de café do Brasil. Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé, explicou o motivo à Reuters.
Os dados de agosto de 2026 são parciais. O mês ainda não havia fechado no momento da revisão. O Cecafé costuma consolidar o número final do mês nas primeiras semanas do mês seguinte.
"Percebi que os números estavam atipicamente baixos para esta época do ano e solicitei a suspensão" — Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé, à Reuters.
O que aconteceu no mercado
Os contratos futuros de café arábica são negociados na ICE, a Intercontinental Exchange, bolsa de Nova York, nos Estados Unidos (EUA). É lá que se fixam os preços futuros da commodity. Esses contratos caíram quase 4% em 26 de agosto — o dia em que o Cecafé divulgou o número corrigido.
Um contrato futuro trava hoje o preço de uma entrega que só ocorre numa data posterior. O mercado usa esses contratos para se proteger de oscilação de preço, ou para apostar no rumo da commodity.
Os preços se recuperaram parcialmente na sessão de sexta-feira, 28 de agosto. A alta foi de 1%. A queda de quase 4% ocorreu no pregão em que o dado subiu por correção — não porque a oferta de fato tenha aumentado. Os embarques que faltavam já haviam saído do país em agosto. Eles simplesmente não tinham entrado na contagem. Isso é diferente de um salto real na quantidade exportada depois de 24 de agosto.
O pano de fundo do mês
As exportações de café brasileiro já vinham fortes em agosto de 2026, antes da revisão. Um dado da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), apurado pela Reuters, mostrava alta de 48,5% nas exportações de café verde. A comparação era com as duas primeiras semanas de agosto, ante o mesmo período de 2025.
O número da Secex usa método e prazo diferentes dos certificados que o Cecafé emprega. Ele cobre outro recorte do mês. Não confirma nem contesta o valor que o Cecafé revisou.
Ressalvas
Até o fechamento desta apuração, só a Reuters havia noticiado a revisão. O site do Cecafé ainda não trazia nota própria sobre o episódio. Nenhuma outra fonte de informação independente confirmava o valor de 2,94 milhões de sacas, nem a explicação sobre a falha nos certificados.
O dado de agosto de 2026 é parcial. O Cecafé pode revisá-lo de novo até o fechamento do mês.
O valor de 1,23 milhão de sacas e o percentual de quase 72% são cálculo próprio. Eles vêm dos dois números que o Cecafé divulgou — 1,71 milhão e 2,94 milhões. A entidade não publicou esse cálculo.
O número da Secex citado como pano de fundo cobre outro período: as duas primeiras semanas de agosto. Ele vem de outra fonte de informação, com metodologia própria. Não deve ser somado nem comparado diretamente ao dado do Cecafé.
A capa é uma fotografia obtida no Pexels, banco de imagem de licença livre — nível 2b da escala do projeto. É ilustrativa: mostra sacas de café armazenadas. Não tem relação direta com o porto de Santos, nem com a safra brasileira, e não traz marca ou logotipo de terceiro. O arquivo original vinha em orientação retrato e foi recortado ao centro para o formato paisagem do hub, sem montagem nem retoque.