O que a 34ª edição mede
Febraban e Deloitte publicaram em junho de 2026 a 34ª edição da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária. Os dados foram colhidos entre dezembro de 2025 e abril de 2026, em 25 bancos que respondem por 85% dos ativos do sistema, com 53 executivos entrevistados.
Os bancos investiram R$ 826 milhões em inteligência artificial em 2025, contra R$ 596 milhões em 2024 — alta de 39%, percentual impresso no próprio levantamento. Na mesma base de comparação, a migração para nuvem passou de R$ 3 bilhões para R$ 3,9 bilhões, alta de 30%. O orçamento total de tecnologia foi de R$ 46,8 bilhões em 2025, e os bancos projetam R$ 50,4 bilhões para 2026, alta de 8%. Em cinco anos esse orçamento cresceu 58%.
O que ela não mede
Agente de IA é o programa que executa uma tarefa inteira e escolhe os passos sozinho, dentro de limites que alguém definiu antes. Difere do assistente, que responde quando perguntado e para ali.
A busca no texto do Volume 1 pelas palavras agente, agêntica, autônomo, autonomia e copiloto não devolve nenhuma ocorrência. A pesquisa apresenta onze indicadores de inteligência artificial. Entre eles estão o estágio de implantação na experiência do cliente, o investimento anual em reais e o ganho de eficiência no atendimento. Todos param na IA generativa, a que produz texto, imagem ou código a partir de um pedido escrito. Nenhum conta agente. Nos registros públicos consultados não há série que meça uso consolidado de agentes no sistema bancário brasileiro.
Vinte por cento usam IA em escala, e 56% ainda experimentam
Na experiência do cliente, 24% dos bancos não usam inteligência artificial, 56% estão em exploração inicial ou em escala limitada, e 20% usam em larga escala. Os três grupos fecham o conjunto e somam 100%.
O aumento médio de eficiência no atendimento ao cliente depois de implantar IA e IA generativa foi de 10,3% em 2025. Outro grupo, também de 20%, alcançou ganho de 20% ou mais, que o levantamento chama de ganho elevado. Os dois percentuais de 20% aparecem no mesmo documento e medem coisas diferentes: um conta quem usa em larga escala, o outro conta quem ganhou muito.
IA generativa é prioridade para 84%, e cibersegurança para 100%
Para 2026, todos os bancos ouvidos colocaram cibersegurança como prioridade alta ou média. A inteligência artificial generativa e a nuvem aparecem para 84% deles, e a IA tradicional para 80%.
Prioridade declarada e dinheiro gasto não são a mesma medida, e a pesquisa não permite dividir uma pela outra. O recorte por tema vem de 16 bancos, e o orçamento total, de 21. São amostras diferentes dentro do mesmo levantamento, e o percentual que sairia da divisão não teria significado.
Os agentes que já operam aparecem nos anúncios dos bancos
O Itaú Unibanco apresentou em junho de 2026, na sua Semana de Produtos, agentes trabalhando no desenho e na construção de software. O banco informou que o ciclo de um produto, o Pix por voz, caiu de 18 dias para 14 horas no modo automatizado e para 5 dias no modo híbrido, com pessoa no meio. Declarou 56 mil funcionários usando IA generativa e mais de 760 produtos e processos com a tecnologia. "Estamos saindo da execução para a orquestração", disse Eduardo Maia, superintendente de Design.
O Banco do Brasil abriu em junho a edição de 2026 do AcademIA BB, seu programa interno de capacitação, com 36 mil inscritos. Informou 12 mil agentes do Copilot, o assistente da Microsoft, em operação, 1.200 modelos de inteligência artificial em produção e 2.000 soluções catalogadas no primeiro trimestre de 2026.
Em 11 de março de 2026, Visa e Banco do Brasil fizeram no Brasil a primeira compra conduzida por um agente, na plataforma Visa Intelligent Commerce. O programa procura o produto e paga dentro do limite que o cliente fixou. A Visa disse em março que esperava liberar o uso amplo no segundo semestre de 2026. Outros emissores brasileiros participam dos testes e não foram nomeados.
Esses números vêm das próprias empresas, apresentados em eventos delas ou em anúncio comercial. Nenhum é auditado, nenhum segue definição comum de agente, e nenhum entra na pesquisa setorial.
"É um país desafiador. A gente precisa colocar uma lupa maior para garantir que todos os mecanismos de segurança e controle funcionem" — Leandro Garcia, diretor-executivo de produtos da Visa do Brasil, sobre o teste de pagamento conduzido por agente.
O painel de abertura do Febraban Tech, em 24 de agosto
O Febraban Tech 2026 acontece de 24 a 26 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo, na 36ª edição. O painel de abertura, marcado para as 10h20 do dia 24, chama-se "Agentes inteligentes, liderança humana: como os bancos estão redesenhando escala, confiança e valor no setor financeiro".
Participam Milton Maluhy Filho, do Itaú Unibanco; Tarciana Medeiros, do Banco do Brasil; Marcelo Noronha, do Bradesco; Livia Chanes, do Nubank na América Latina; Gilson Finkelsztain, do Santander Brasil; Carlos Vieira, da Caixa; e Roberto Sallouti, do BTG Pactual. A Febraban anunciou o painel em 13 de agosto. Até a publicação deste resumo, em 23 de agosto, ele ainda não havia ocorrido.
O que dá para conferir hoje
O levantamento setorial é comparável entre instituições e ao longo de 34 edições, e para na IA generativa. Os números de agente vêm de cada banco, no formato que cada um escolheu, sem definição comum e sem auditoria. As duas séries não se cruzam.
O Volume 2 da edição de 2026 não foi localizado. A edição de 2025 saiu em dois volumes.
Ressalvas
O valor investido em inteligência artificial admitiu duas leituras. A extração automática do gráfico do PDF devolveu R$ 3 bilhões para 2025; IT Forum e Let's Money publicaram R$ 826 milhões. As taxas de crescimento impressas no próprio gráfico, 39% para inteligência artificial e 30% para migração para nuvem, só fecham com a segunda leitura: 596 para 826 dá 39%, e 3 bilhões para 3,9 bilhões dá 30%. Este resumo usa R$ 826 milhões e registra a leitura.
A ausência de agente no levantamento foi apurada por busca textual no Volume 1, repetida em duas consultas com formulações diferentes. Busca textual não lê rótulo de gráfico em imagem, e o Volume 2 de 2026 não foi localizado — um indicador de agente pode aparecer nele.
Os números de Itaú, Banco do Brasil e Visa são autodeclarados, apresentados em eventos das próprias empresas ou em anúncio comercial, e não foram auditados por terceiro.
A data exata de divulgação da pesquisa diverge entre veículos: Let's Money registra 29 de junho e IT Forum, 30 de junho. O documento traz apenas "junho de 2026". Este resumo não usa o dia.
O painel de abertura do Febraban Tech não havia ocorrido até a publicação. Nenhuma declaração dos presidentes sobre agentes está reproduzida aqui, porque nenhuma existia.
Forbes Brasil, TI INSIDE e Mobile Time devolveram HTTP 403 à ferramenta de coleta. A limitação foi registrada e não contornada por outro meio, conforme a regra do projeto.
A publicação de entrada foi um artigo de marca da GFT Technologies, fornecedora que vende modernização e inteligência artificial para bancos. Nenhum número dela foi usado. O texto dela entra neste resumo apenas como exemplo do discurso de fornecedor, e a divergência do dado de adoção está registrada na seção correspondente.