O celular já roda sem depender da nuvem

O Google lançou o Pixel 10 com o Gemma 4 E2B. É um modelo de inteligência artificial que funciona sem conexão à internet. O modelo tem 2,3 bilhões de parâmetros e roda inteiramente dentro do aparelho.

Ele transcreve áudio, identifica objetos e plantas, e executa comandos do sistema por voz ou texto, tudo offline. O Google apresenta o recurso como resposta à preocupação do público com privacidade de dados. Processar a informação no próprio aparelho evita expor esses dados a falhas em servidores remotos.

A empresa também cita ganho de velocidade nas respostas. Fala ainda na possibilidade de empresas menores oferecerem inteligência artificial sem manter infraestrutura própria de nuvem.

A Tether abriu um modelo para caber no bolso

A Tether é a empresa por trás da USDT. A USDT é a maior stablecoin do mercado, com capitalização de US$ 183 bilhões em 15 de setembro de 2026. É uma moeda digital que replica o valor do dólar.

Em julho de 2026, a QVAC — unidade de pesquisa em inteligência artificial da Tether — lançou o VisionPsy-Nano. É um modelo de visão computacional com 460 milhões de parâmetros, pequeno o bastante para rodar num celular comum. A empresa abriu o código do modelo, o que permite que qualquer desenvolvedor o baixe e o use livremente.

Segundo dados divulgados pela própria Tether, o modelo obteve nota 62,3 num teste de referência do setor. A Liquid AI, concorrente direta, obteve 59,6 no mesmo teste. A Hugging Face, outra concorrente, ficou em 52,5. Há uma versão mais rápida, chamada Flash. Nela, a Tether diz que o tempo de resposta caiu até 36 vezes num iPhone 15. Nenhum desses números foi confirmado por fonte de informação independente até a publicação deste texto.

O que sustenta a mudança

A UNESCO fez um estudo com a University College London, divulgado em julho de 2025. O estudo mediu o consumo de energia de modelos de inteligência artificial. A pesquisa testou modelos menores e focados numa tarefa específica, em vez de modelos grandes de uso geral. O resultado: esses modelos menores podem cortar o consumo de energia em até 90%, sem perder precisão.

O estudo não trata especificamente de modelos rodando dentro do aparelho do usuário. Fala em modelos pequenos e especializados, seja onde for que rodem. A publicação de origem deste artigo é paga pela Tether. Ela cita esse número como se ele comprovasse a economia de energia da inteligência artificial local. É uma extrapolação da empresa, não uma conclusão do estudo.

O Google mantém a família de modelos Gemma, que já vai da terceira à quarta geração. A Liquid AI desenvolve os modelos LFM, voltados a visão computacional. A Hugging Face, plataforma que hospeda modelos de código aberto, mantém os modelos SmolVLM e nanoVLM. Todos competem pelo mesmo objetivo: caber num aparelho pequeno sem perder qualidade.

De onde vem o dinheiro da Tether

A Tether lucrou mais de US$ 10 bilhões nos primeiros nove meses de 2025, segundo a CoinDesk. Parte desse dinheiro sustenta a entrada da empresa em inteligência artificial e tem ido para fora do negócio de stablecoin.

Em junho de 2026, a Tether liderou uma rodada de investimento de até US$ 1,4 bilhão. O destino foi a Neura Robotics, fabricante alemã de robôs. A rodada avaliou a Neura Robotics entre US$ 9 bilhões e US$ 12 bilhões. Qualcomm, Amazon e Nvidia também entraram como investidoras.

O plano da Tether para os robôs da Neura inclui equipá-los com carteiras digitais próprias. As máquinas poderiam assim receber pagamento e fazer transferência entre si, sem intermediário humano. A Neura Robotics é aposta em robótica, não em modelos de visão para celular. Mas mostra a escala de capital que a Tether move para fora do negócio original de stablecoin. A direção é inteligência artificial e automação física.

"AI is moving from the digital world into the physical world" — em tradução livre, "a inteligência artificial está saindo do mundo digital para o mundo físico". Declaração atribuída ao CEO da Neura Robotics, na cobertura da CoinDesk sobre a rodada de investimento liderada pela Tether, em 11 de junho de 2026.

Ressalvas

Este artigo tem origem em conteúdo pago. A publicação saiu no TechCrunch, mas foi produzida pela divisão comercial do veículo (TC Brand Studio) e paga pela Tether. A redação do TechCrunch não participou do texto, segundo aviso na própria página. Nenhum executivo assina o artigo de origem.

A nota do modelo VisionPsy-Nano no teste de referência é autodeclarada pela Tether. O mesmo vale para a redução no tempo de resposta. Os números vêm da própria Tether e da QVAC, sua unidade de pesquisa. Não foi localizada auditoria independente delas.

O estudo da UNESCO com a University College London mede economia de energia em modelos menores e focados numa tarefa. A publicação de origem é paga pela Tether. Ela cita esse estudo como se ele comprovasse economia de energia específica da inteligência artificial local. Essa ligação não está no estudo original.

A capitalização de mercado da USDT citada neste texto varia a cada dia. O valor registrado é o de 15 de setembro de 2026.