O banco diz que o risco não está no iPhone, e sim nas compras feitas nele

O Bank of America apontou nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, um risco novo para a Apple. O alerta está numa nota do analista Wamsi Mohan, distribuída aos clientes do banco.

O risco vem do Muse, agente de inteligência artificial da Meta que faz tarefas e compras em nome do usuário. Segundo Mohan, o perigo não está na venda de iPhones. Está no caminho que leva o usuário até a compra: a busca pelo produto, a indicação da loja e o início do pagamento.

Na leitura do analista, esse caminho hoje passa pelo sistema do iPhone e pela loja de aplicativos da Apple. Mohan resume a mudança assim, em tradução livre: "quem o agente escolhe vira o vendedor, e quem controla o agente fica com o ganho de encaminhar a compra". Segundo ele, esse ganho antes ficava com os sistemas dos celulares, com a busca na internet e com as lojas de aplicativos.

O Muse chegou ao topo da loja da Apple em dez dias

A Meta lançou o Muse em 8 de setembro, nos Estados Unidos, para iPhone e Android. Segundo a Meta, o agente abre o navegador, preenche formulários e continua trabalhando depois que o usuário fecha o aplicativo.

Para pagar, o Muse cria um número de cartão que vale uma vez só, pelo Link, serviço de pagamento da americana Stripe. O plano básico é gratuito, e as funções avançadas são pagas.

Em 18 de setembro, o Muse chegou ao primeiro lugar entre os aplicativos gratuitos da loja da Apple nos Estados Unidos. No dia seguinte, liderava também a loja do Google, segundo o site americano de tecnologia TechCrunch.

A Sensor Tower, que estima downloads de aplicativos, contou 2,5 milhões no começo da semana passada. Até 25 de setembro, a conta dela subiu para 3,4 milhões. Na mesma data, a Apptopia estimou 4,3 milhões e a Appfigures, 2,3 milhões.

⚠️ Divergência identificada: As três empresas de medição citadas pelo TechCrunch dão números diferentes para os downloads do Muse até 25 de setembro de 2026: 3,4 milhões (Sensor Tower), 4,3 milhões (Apptopia) e 2,3 milhões (Appfigures). A Meta não divulgou número próprio.

Lojas e meios de pagamento já aceitam o Muse; a Amazon, não

Na conferência anual da Meta, em 23 de setembro, a empresa anunciou os parceiros de compra do Muse. Entre eles estão a Shopify, plataforma usada por lojas virtuais, o serviço de pagamentos PayPal e a rede varejista Walmart. A Expedia, site de reservas de viagem, entra em breve, segundo a Meta.

A Amazon impede o Muse de comprar no seu site desde 20 de setembro, segundo o site americano GeekWire. A varejista diz que o agente viola as regras de uso da loja, segundo o site de investimentos Motley Fool.

A Meta pretende cobrar taxas sobre as transações feitas pelo Muse, segundo o TechCrunch. Por enquanto, o usuário começa com créditos gratuitos de uso.

A nova Siri chegou seis dias depois, sem as mesmas funções

A Apple lançou em 14 de setembro o iOS 27, nova versão do sistema do iPhone, com uma Siri refeita com inteligência artificial. A assistente responde perguntas complexas e cumpre pedidos de várias etapas, segundo o site americano Engadget.

O site de notícias financeiras Investing.com e o Engadget ligam a assistente aos modelos Gemini, a inteligência artificial do Google. O site financeiro GuruFocus, ao noticiar a mesma nota do banco, fala em modelos próprios da Apple. A divergência entre as fontes de informação não foi resolvida.

Segundo Mohan, a nova Siri ainda não trabalha em segundo plano por muito tempo, como o Muse. Ela também alcança poucas ações em aplicativos de outras empresas e não tem um sistema de pagamento como o do agente da Meta.

Para o analista, o limite não é o aparelho, porque o iPhone supera com folga o que o Muse exige. O problema é o ritmo: "a Apple lança grandes versões de software uma vez por ano, e os agentes melhoram todo dia".

A Apple lança grandes versões de software uma vez por ano, e os agentes melhoram todo dia. — Wamsi Mohan, Bank of America (tradução livre)
⚠️ Divergência identificada: O Investing.com e o Engadget ligam a nova Siri do iOS 27 aos modelos Gemini, do Google. O GuruFocus, ao noticiar a nota do Bank of America de 29/09/2026, cita modelos próprios da Apple processados na nuvem da empresa. A divergência não foi resolvida.

O banco mantém a recomendação de compra, e a ação caiu no dia

Mesmo com o alerta, o Bank of America manteve a recomendação de compra da ação da Apple. O banco cita a base fiel de clientes e a proteção de privacidade do iPhone como vantagens que continuam de pé.

O preço que o banco espera para a ação é de US$ 370. Mohan havia reduzido esse valor de US$ 380 depois do lançamento dos novos iPhones, neste mês, segundo o site financeiro TheStreet e o Motley Fool.

A ação da Apple caía 1,6% às 11h09 de Brasília, segundo o Investing.com. No mesmo horário, a ação da Meta subia 1,66%. Outros sites registraram queda perto de 2% ao longo da manhã, com a ação da Apple a US$ 332,22.

No mesmo dia, a OpenAI, dona do ChatGPT, apresentou o Dots, agente que persegue metas do usuário sem parar, em segundo plano. Por enquanto, ele só está disponível para assinantes dos planos mais caros, segundo o TechCrunch.

⚠️ Divergência identificada: A queda da ação da Apple em 29/09/2026 aparece como 1,6% no Investing.com (11h09 de Brasília) e perto de 2% no GuruFocus e no Parameter, em horários da manhã. Número de fechamento a conferir antes da gravação.

Ressalvas

A nota do banco não é pública. O Bank of America distribui as análises só para clientes. Toda a cobertura da tese de Mohan vem dessa nota, por meio de resumos de sites financeiros. Nenhuma fonte de informação consultada publicou a nota inteira.

Preço esperado de US$ 370. O valor em vigor está confirmado pelo TheStreet e pelo Motley Fool, em reportagens anteriores à nota. Que a nota de 29 de setembro o manteve aparece só no site Parameter.

Downloads são estimativas. A Meta não divulgou o número de downloads do Muse. Os números vêm de três empresas de medição e vão de 2,3 milhões a 4,3 milhões na mesma data.

Sem receita do Muse. A Meta não divulgou quanto o Muse fatura. A cobrança por transação ainda é plano, e não há dado de compras feitas pelo agente.

Divergência não resolvida. As fontes de informação não concordam sobre os modelos de inteligência artificial da nova Siri.

Fontes de informação não abertas. As reportagens da CNBC sobre o iOS 27 e sobre a disputa entre Amazon e Meta devolveram erro de acesso à ferramenta. A da CNN foi recusada pelas regras do próprio site. Nenhuma foi lida por outro meio.