O chip
A Nvidia (NVDA 🇺🇸), empresa das placas de vídeo de jogos e de IA, agora faz também o chip principal do notebook. Revistas especializadas testaram o chip, e ele roda jogos como um notebook gamer, só que num aparelho fino.
O chip se chama RTX Spark e junta num mesmo componente o processador e a placa de vídeo. Os primeiros notebooks com ele chegaram às lojas dos Estados Unidos em 16 de outubro de 2026, segundo o site americano Windows Central.
Até agora, o notebook com placa de vídeo da Nvidia levava dois chips. O processador vinha da Intel (INTC 🇺🇸) ou da AMD (AMD 🇺🇸), e a placa de vídeo ficava à parte.
No RTX Spark, o processador segue o padrão Arm, o mesmo dos celulares, e não o x86 da Intel e da AMD. Processador e placa de vídeo dividem até 128 GB de memória, o que permite rodar modelos grandes de IA no próprio aparelho.
A Nvidia anunciou o chip em 31 de maio de 2026, em Taiwan, em parceria com a Microsoft (MSFT 🇺🇸), dona do Windows. Segundo a Nvidia, ele chega a 1 petaflop, ou mil trilhões de operações por segundo, em tarefas de IA. Nenhum teste independente mediu esse número.
Asus, Dell (DELL 🇺🇸), HP (HPQ 🇺🇸), Lenovo, Microsoft e MSI anunciaram modelos com o chip. Acer e Gigabyte devem vir depois, segundo a Nvidia.
O que os testes mostram
As revistas americanas Tom's Guide e HotHardware testaram o mesmo aparelho, o Surface Laptop Ultra, da Microsoft, com a versão mais potente do chip. As duas revistas publicaram os resultados em 15 de outubro de 2026.
No 3DMark Time Spy Extreme, teste que simula jogos pesados, o RTX Spark marcou 6.060 pontos. O Ryzen AI Max+ 395, chip da AMD que também traz a placa de vídeo embutida, marcou 4.689. A diferença é de 29% a favor da Nvidia (cálculo próprio).
No teste gráfico Steel Nomad, o RTX Spark fez 2.912 pontos, contra 2.335 do M5 Pro, chip do MacBook Pro da Apple (AAPL 🇺🇸). No jogo Cyberpunk 2077, rodou a 39 quadros por segundo, contra 35 de um notebook com placa RTX 5070, da própria Nvidia.
No processador, o M5 Pro marcou 29.659 pontos no Geekbench, teste de velocidade que usa todos os núcleos ao mesmo tempo. O RTX Spark marcou 23.610. O HotHardware também aponta desempenho baixo quando o programa usa um núcleo só.
Navegando na web, a bateria do Surface com RTX Spark durou 10h15, menos da metade das 21h25 do MacBook com M5 Pro. Em jogos, o mesmo aparelho durou 1h38, contra 1h13 do notebook com placa RTX 5070.
Preço e limites
Os notebooks com RTX Spark custam a partir de US$ 2.599 nos Estados Unidos, segundo o site brasileiro Canaltech. Por esse preço, o aparelho leva a versão de 18 núcleos do chip, 24 GB de memória e 512 GB de armazenamento.
O modelo mais caro citado pelo Canaltech, um Asus ProArt P16 com 128 GB de memória, chega a US$ 7.000. O Surface Laptop Ultra de 15 polegadas com 32 GB sai por US$ 3.299,99 na loja virtual Antonline, segundo o Windows Central.
Os programas de Windows feitos para os processadores da Intel e da AMD seguem outro padrão. No chip da Nvidia, o Windows converte esses programas enquanto eles rodam, e a conversão os deixa mais lentos. O Tom's Guide viu engasgos no jogo Forza Horizon 6, nas configurações mais altas, e atribuiu o problema a essa conversão.
Jogos online costumam instalar um programa que detecta trapaças dos jogadores. Parte desses programas não funciona no RTX Spark, segundo o HotHardware.
Para o Tom's Guide, o RTX Spark não tira o lugar do MacBook Pro. A revista aponta como vantagem a memória compartilhada, que comporta modelos de IA maiores e projetos grandes de criação no próprio aparelho.
Ressalvas
A marca de 1 petaflop em IA é declarada pela Nvidia, e nenhuma das revistas a mediu.
Os testes usaram um único aparelho, o Surface Laptop Ultra, com a versão mais potente do chip. A versão de 18 núcleos, que equipa os modelos de entrada, não aparece nos testes lidos.
A Nvidia não divulga quanto espera faturar com chips para notebook. As fontes de informação consultadas também não trazem a participação de cada fabricante no mercado de processadores para PC.
Divulgação de conflito de interesse: a Nvidia e a Microsoft, citadas neste texto, são investidoras da Anthropic. Em 18 de novembro de 2025, anunciaram aportes de até US$ 10 bilhões e até US$ 5 bilhões, segundo a Al Jazeera. A Anthropic fabrica a inteligência artificial usada na pesquisa e na redação destes resumos. Nenhum dado deste texto foi obtido junto à Anthropic.