Bank of America vê no gasto com IA um risco para o crescimento mundial

Se as empresas de tecnologia gastarem menos com inteligência artificial, o estrago vai além das ações delas e freia o crescimento do mundo. O aviso é dos economistas do Bank of America (BAC 🇺🇸), em nota a clientes de 2 de novembro de 2026.

A nota chama uma correção prolongada no investimento em IA de “um grande risco para a economia global”, segundo a Fortune, revista americana de negócios. O banco não estimou o tamanho do estrago.

Menos obras e menos compras de equipamento reduziriam o crescimento de forma direta, segundo os economistas. A queda das ações faria as famílias americanas se sentirem mais pobres e gastarem menos.

O banco também liga parte da alta recente dos juros ao dinheiro tomado emprestado para erguer data centers, os galpões de computadores onde a IA roda. Quanto mais esse gasto cresce, maior o risco, segundo a nota.

Construção de data centers sobe 73% em um ano

A construção de data centers nos EUA atingiu em agosto de 2026 o ritmo recorde de US$ 84,95 bilhões por ano. A conta já desconta o efeito da época do ano.

Em agosto de 2025, o ritmo era de US$ 49,05 bilhões por ano, e a alta em um ano é de 73%. Os dados são do Census, a agência de estatística do governo americano, pela leitura do site NeoTeo. A conta cobre só a obra, sem os servidores.

Os economistas do Goldman Sachs (GS 🇺🇸) calculam que o investimento americano em equipamento para IA está US$ 613 bilhões acima do nível de 2022. A diferença equivale a cerca de 1,9% do PIB dos EUA, segundo nota citada pela Fortune.

As maiores empresas de tecnologia devem gastar perto de US$ 800 bilhões em obras e equipamentos em 2026, 96% mais que em 2025. A conta é de Ben Snider, estrategista do Goldman, e os analistas esperam US$ 1,2 trilhão em 2027.

Em abril, o Morgan Stanley (MS 🇺🇸) estimava US$ 805 bilhões para 2026 e cerca de US$ 1,1 trilhão para 2027, segundo o site FourWeekMBA. A estimativa somava Amazon (AMZN 🇺🇸), Alphabet (GOOGL 🇺🇸), dona do Google, Meta (META 🇺🇸), Microsoft (MSFT 🇺🇸) e Oracle (ORCL 🇺🇸).

Bolsa e eleitores já reagem ao gasto com IA

Desde o início da temporada de balanços do terceiro trimestre até 2 de novembro, o S&P 500, índice de 500 grandes empresas americanas, acumula queda de 3%.

No mesmo período, o S&P 500 sem as ações ligadas à IA acumula alta de 5%, segundo Snider. A distância entre os dois é de 8 pontos percentuais (cálculo próprio).

Nesta terça-feira, 3 de novembro, dia da eleição de meio de mandato nos EUA, eleitores de 10 estados votam 41 medidas locais sobre data centers. As medidas vão de exigências às construtoras à proibição de novas obras, segundo a Fortune, com base no site Axios e no Ballotpedia, enciclopédia de eleições americanas.

Ohio concentra 21 dessas medidas. As seis votações sobre o tema já decididas em 2026, em New Hampshire, Wisconsin, Michigan e Califórnia, terminaram contra a construção.

FMI aponta o mesmo risco

O FMI, o Fundo Monetário Internacional, apontou o mesmo risco em 13 de outubro de 2026. O relatório do fundo sobre a economia mundial lista uma queda das ações ligadas à IA entre as ameaças ao crescimento. A informação é da AP, agência de notícias americana.

O fundo prevê alta de 3,1% na economia mundial em 2026. Os países impulsionados pelo investimento em IA compensam os prejudicados pela guerra no Oriente Médio, segundo a Xinhua, agência estatal de notícias da China.

Uma desaceleração da IA “seria sentida no mundo todo”, disse a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, à AFP, agência de notícias francesa. Ela também alertou para o risco de investidores perderem a confiança.

⚠️ Divergência identificada: A AFP (17/10/2026) atribui ao relatório de outubro uma queda de 0,4% do PIB mundial até 2028 num cenário de recuo do investimento em IA. A Tech Times (14/10/2026) fala em 0,4 ponto percentual de crescimento a menos, mas liga o cálculo à atualização de janeiro de 2026. A cobertura da Reuters traz número maior e não foi usada, por decisão do João. O relatório não abriu pela ferramenta, e a base de cada número não foi conferida.

Ressalvas

O texto das notas do Bank of America e do Goldman Sachs não foi lido. Tudo o que vem delas tem uma fonte de informação só, a Fortune. Isso inclui os números de gasto das empresas de tecnologia e o desempenho do S&P 500.

Os gastos das empresas de tecnologia em 2026 e 2027 são projeções. A estimativa do Goldman foi citada pela Fortune em novembro, e a do Morgan Stanley é de abril de 2026.

O comunicado do Census não abriu pela ferramenta de leitura. O número de agosto vem da leitura das tabelas pelo site NeoTeo, bate com o da Fortune e é preliminar, sujeito a revisão.

A Fortune não informa em que dia começa a comparação do S&P 500 com e sem as ações de IA.

O relatório do FMI não abriu pela ferramenta de leitura. O número do fundo para o tamanho do estrago fica fora do texto. AFP e Tech Times trazem números diferentes, e a base de cada um não pôde ser conferida no relatório.

A contagem de medidas locais sobre data centers mudou com o tempo. Em 5 de outubro, a Newsweek registrava 39 medidas em oito estados, pelo mesmo Ballotpedia. Em 2 de novembro, a Fortune registra 41 em dez estados.