O resultado

O Itaú Unibanco (ITUB4 🇧🇷) ganhou R$ 12,6 bilhões entre julho e setembro de 2026, 6,7% a mais que um ano antes. O banco emprestou mais dinheiro, sobretudo em linhas com garantia: o imóvel, o desconto no salário ou o aval do governo.

O número é o lucro recorrente, a conta do próprio banco que deixa de fora ganhos e perdas que não se repetem. A alta de 6,7% compara o terceiro trimestre de 2026 com o mesmo período de 2025. Ela desconta o efeito da venda da operação de varejo do banco na Colômbia, segundo a Exame. Sem esse ajuste, o lucro sobe 6,2%, para R$ 12,617 bilhões.

Contra o segundo trimestre de 2026, o lucro subiu 2,5%, ou 1,7% sem o ajuste da Colômbia. De janeiro a setembro de 2026, o banco lucrou R$ 37,3 bilhões, contra R$ 34,5 bilhões nos mesmos meses de 2025. A alta nos nove meses é de 8,1% (cálculo próprio).

O lucro cresceu menos a cada trimestre de 2026, sempre na comparação com o mesmo trimestre de 2025. A Bloomberg Línea calcula altas de 10,4% no primeiro trimestre, 7,8% no segundo e 6,2% no terceiro, sem o ajuste da Colômbia.

⚠️ Divergência identificada: A Bloomberg Línea diz que o lucro ficou em linha com os R$ 12,63 bilhões esperados pelos analistas consultados pela Bloomberg. O Seu Dinheiro e o Money Times, da mesma autora, citam outra média da Bloomberg, de R$ 12,714 bilhões, e descrevem o lucro como levemente abaixo do esperado.

Os empréstimos

A carteira de crédito do Itaú somou R$ 1,544 trilhão em setembro de 2026, 10,2% acima de setembro de 2025. Sem a operação vendida na Colômbia, a alta foi de 10,9% no mesmo intervalo.

As linhas com garantia cresceram acima dos 10,2% da carteira total. O crédito imobiliário subiu 15,8% em um ano, para R$ 158,8 bilhões. O consignado, empréstimo com desconto direto no salário ou na aposentadoria, cresceu 16,3%, segundo a Folhapress. Dentro dele, a linha para empregados de empresas privadas subiu 93,7% em um ano, segundo a Exame.

Os empréstimos a micro, pequenas e médias empresas subiram 15,1% em um ano, para R$ 320,4 bilhões. Parte deles tem garantia do governo federal, segundo a Folhapress. O financiamento de veículos ficou 3,6% abaixo do volume de setembro de 2025.

A Folhapress atribui a alta do lucro a esse crédito com garantia. O presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, falou em seguir “crescendo com rentabilidade”, sem citar linhas de crédito.

A carteira cresce acima da faixa que o próprio banco projetou para 2026, de 5,5% a 9,5%. O Itaú reconhece a diferença e manteve a projeção, segundo a Bloomberg Línea.

Juros, tarifas e despesas

A margem com clientes, o ganho do banco com os juros dos empréstimos e das aplicações deles, somou R$ 33,3 bilhões. O valor ficou 2,2% acima do segundo trimestre de 2026, com carteira maior e mais dias úteis no período.

A tesouraria, área que aplica o dinheiro do próprio banco no mercado, rendeu R$ 1,325 bilhão, 42,3% mais que no segundo trimestre. Sem esse ganho, o resultado antes dos impostos teria caído 0,4% no trimestre, pelo cálculo da Bloomberg Línea.

As receitas de serviços e seguros somaram R$ 14,1 bilhões, 0,2% abaixo do segundo trimestre de 2026. A gestão de recursos de clientes rendeu 7,8% mais no trimestre, e a emissão de cartões, 7,1%, segundo a Finance News. As receitas de banco de investimento ficaram abaixo das do segundo trimestre.

As despesas que não são de juros subiram 2,4% no trimestre, para R$ 17,1 bilhões. Pesaram o reajuste de 4,6% dos bancários desde setembro e mais gastos com ações trabalhistas.

Os atrasos

Os empréstimos com mais de 90 dias de atraso chegaram a 2,0% da carteira em setembro de 2026. Foi a primeira alta depois de seis trimestres em 1,9%, segundo a Bloomberg Línea.

A alta veio das micro, pequenas e médias empresas. No Brasil, o atraso delas passou de 1,7% em setembro de 2025 para 2,1% em setembro de 2026. O banco atribui a alta ao fim do prazo sem pagamento de programas do governo, segundo a Finance News. Entre pessoas físicas, a taxa ficou estável, em 3,7%.

O custo do crédito, o dinheiro que o banco separa para cobrir calotes, somou R$ 10,4 bilhões no trimestre. O valor ficou 10,2% acima do terceiro trimestre de 2025. Ele equivaleu a 2,7% da carteira média, a mesma taxa do segundo trimestre de 2026.

Em setembro de 2026, 6,7% dos empréstimos a pessoas físicas do Itaú tinham mais de 15 dias de atraso. Nos demais bancos, eram 13,1%, segundo a Exame. Entre empresas, as taxas eram de 2,9% no Itaú e de 5,8% nos demais.

Rentabilidade e projeções

O lucro do trimestre equivaleu a 23,6% ao ano do capital dos acionistas. A taxa continua 0,7 ponto abaixo dos 24,3% do segundo trimestre de 2026, na segunda queda seguida. No início de 2026, estava em 24,8%, segundo a Bloomberg Línea. No terceiro trimestre de 2025, era de 23,3% (cálculo próprio, a partir da alta de 0,3 ponto em um ano).

O Itaú argumenta que carrega mais capital do que precisa, segundo a Exame. Entre junho e setembro de 2026, a reserva principal contra perdas subiu de 12,3% para 12,7%. A taxa mede essa reserva contra empréstimos e aplicações, pesados pelo risco de cada um. Com essa reserva em 11,5%, a rentabilidade do trimestre seria de 24,7%, pela conta do banco citada na Exame.

Para 2026, o Itaú manteve a previsão de alta de 5,5% a 9,5% para a carteira e de 5% a 9% para a margem com clientes. O custo do crédito deve ficar entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões. As receitas de serviços e seguros devem subir de 2% a 5%.

O banco só mudou a previsão de imposto. A fatia do lucro que deve ir para imposto de renda e contribuição social caiu de 29,5% a 32,5% para 28% a 29%.

Ressalvas

O lucro recorrente é medida do próprio banco, que exclui o que ele considera não recorrente. O lucro contábil, calculado pelas regras oficiais de balanço, não foi localizado nas reportagens lidas. O comunicado de resultados e o site de relações com investidores do Itaú não foram lidos, porque o site não abriu na pesquisa.

Os números vêm de reportagens que reproduzem o comunicado do banco. A reportagem do InfoMoney sobre o balanço também não abriu. As altas de 6,7% e 6,2% não se contradizem: medem o lucro com e sem o ajuste da venda na Colômbia.

A ligação entre o lucro e o crédito com garantia é leitura da Folhapress, não do banco. A Exame não informa de onde vêm os números dos demais bancos na comparação de atrasos acima de 15 dias.

A Bloomberg Línea compara o atraso das pequenas e médias empresas com 1,7% em setembro de 2025. A Exame compara com 1,6% em junho de 2025. A sigla ITUB4 vem da cobertura e não foi conferida no site de relações com investidores.