O contrato com a FlyBIS
A Eve (EVEX 🇺🇸), empresa de carros voadores da Embraer (EMBJ3 🇧🇷), fechou negócio com uma companhia de táxi aéreo. A FlyBIS quer transportar passageiros pelo ar entre cidades turísticas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
A aeronave da Eve é elétrica e decola e pousa na vertical, como um helicóptero. O contrato foi anunciado em 4 de novembro de 2026 e prevê até 12 aeronaves.
A FlyBIS se comprometeu a comprar duas e ganhou o direito de comprar outras dez. As empresas não divulgaram o valor do negócio.
As rotas em estudo saem de Navegantes, Balneário Camboriú e Florianópolis, no litoral catarinense. Elas chegam a Gramado e Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha.
As duas empresas vão planejar juntas a rede de voos, a infraestrutura em terra e a ligação com outros meios de transporte. Johann Bordais, presidente da Eve, disse que os clientes passam "do desenvolvimento inicial de mercado para compromissos concretos de frota".
Gustavo Zanettini, cofundador e presidente da FlyBIS, chamou a assinatura de marco importante para a empresa.
A carta de 2022 previa até 40 aeronaves
O contrato nasce de uma carta de intenção que a Eve e a FlyBIS assinaram em 8 de dezembro de 2022. A carta não obrigava ninguém a comprar e previa até 40 aeronaves.
O contrato de agora fica em até 12 aeronaves. As duas encomendas firmes equivalem a 5% das 40 aeronaves da carta (cálculo próprio).
A FlyBIS foi fundada em 2022, em Caxias do Sul (RS), por sócios da Brave, empresa de compartilhamento de aviões executivos. Nenhuma companhia opera a aeronave da Eve, que ainda não tem certificação.
A AirX, outra cliente da Eve, de Tóquio, fez o mesmo caminho em fevereiro de 2026. Ela transformou em contrato uma carta de 2024 para até 50 aeronaves. O contrato trouxe 2 encomendas firmes e opção de compra de outras 48, com as duas primeiras entregas previstas para 2029, segundo a Eve.
A Eve informou em junho de 2026 que suas cartas de intenção somavam mais de 2.800 aeronaves.
O protótipo ainda está em testes
O protótipo da Eve, testado em Gavião Peixoto (SP), fez o primeiro voo em dezembro de 2025. Segundo a empresa, ele já completou mais de 70 voos, parado no ar e em baixa velocidade.
Na fase seguinte, de transição, a aeronave deixa de subir como helicóptero e passa a voar para a frente como avião. Nela, a hélice traseira é ligada com a aeronave já no ar.
A Eve previa obter em 2026 a certificação da Anac, a agência brasileira de aviação civil. Adiou para 2027 e depois para 2028. A entrada em serviço também está prevista para 2028.
O caixa da Eve
A Eve divulgou em 5 de novembro de 2026 o balanço do terceiro trimestre. O prejuízo foi de US$ 58,1 milhões de julho a setembro de 2026, contra US$ 46,9 milhões no mesmo período de 2025.
A empresa gastou US$ 55,1 milhões em caixa no trimestre, contra US$ 60,7 milhões de julho a setembro de 2025. No fim de setembro de 2026, tinha US$ 356 milhões em caixa e aplicações.
Somadas uma subvenção e as linhas de crédito ainda não sacadas do BNDES, o banco federal de desenvolvimento, o dinheiro disponível chega a US$ 470,4 milhões. A Eve diz que esse valor basta até 2028 e que não espera receita relevante enquanto desenvolve a aeronave.
A Embraer tinha cerca de 72% das ações da Eve em 30 de junho de 2026. A Eve informou o número no relatório trimestral entregue à SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA.
Ressalvas
Os termos do contrato vêm só da Eve e da FlyBIS. CNN Brasil, AeroTime, Urban Air Mobility News e Tech Times publicaram em 4 de novembro de 2026 os termos do comunicado da Eve. Nenhum desses veículos apurou o acordo por conta própria.
O valor do contrato não foi divulgado. O número de voos do protótipo e o prazo de certificação também são declarações da Eve, sem medição independente.
A Eve e a FlyBIS não explicaram por que o contrato ficou abaixo das 40 aeronaves da carta de 2022. O comunicado no site da Eve não pôde ser aberto, e os termos foram conferidos na CNN Brasil, na AeroTime e na Urban Air Mobility News.